Londrina quer voltar a vencer no VGD após nove meses
Local não tem sido palco de vitórias do Tubarão; no Café, time também não consegue ser bom mandante
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 17 de abril de 2026
Local não tem sido palco de vitórias do Tubarão; no Café, time também não consegue ser bom mandante

Jogar em casa tem sido um desafio para o Londrina nos últimos tempos. Seja no Vitorino Gonçalves Dias (VGD), palco da partida deste domingo (19), às 16h, contra o Ceará, pela Série B, ou no estádio do Café, o Tubarão não tem conseguido impor força como mandante. Os números recentes ilustram a dificuldade em fazer valer o fator casa.
No VGD, o tema é tratado internamente quase como um paradoxo. Os atletas aprovam o estádio, querem atuar ali e reconhecem que a pressão exercida pela torcida costuma pesar sobre os adversários. No entanto, os resultados não acompanham a expectativa. O Londrina não vence no VGD desde 27 de julho, ainda pela Série C de 2025, quando derrotou o CSA por 3 a 1, com gols de Lucas Marques, Iago Teles e Quirino. De lá para cá, foram sete partidas, com seis empates, cinco pela Série C e um pela Série B, e uma derrota, justamente a primeira do clube no estádio desde a reabertura: 2 a 1 para o Sport, de virada, pela 3ª rodada da Série B.
Desde aquela vitória sobre o CSA, o LEC só marcou mais de um gol no VGD uma única vez: no empate por 2 a 2 com o Goiás, pela 2ª rodada da Série B. Nos demais jogos, igualou sem brilho: 0 a 0 ou 1 a 1, acumulando frustrações ao torcedor.
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INSTABILIDADE NO CAFÉ
Quem defende o estádio do Café como casa fixa do Tubarão também não encontra muitos argumentos favoráveis. O desempenho ali tampouco tem sido convincente. As derrotas recentes para o Operário, nos pênaltis, na final do Estadual, após empate no tempo normal, e para o Athletico, na eliminação na Copa do Brasil, reforçam a instabilidade e se somam ao revés para o mesmo time de Ponta Grossa, também no Café, na semifinal do Paranaense de 2025.
Em 2026, o Londrina venceu apenas três vezes no Café: contra o próprio Operário, na estreia do Paranaense; diante do rebaixado Galo Maringá; e sobre o Penedense-AL, vice-lanterna do Campeonato Alagoano, pela Copa do Brasil. O restante foi um acúmulo de empates, contra Cianorte, São Joseense, Athletico e novamente o Operário na decisão estadual.
Em 2025, o cenário também não foi positivo. O Londrina perdeu para o Náutico no único jogo da Série C disputado no Café, além da queda diante do Operário, na semifinal do Paranaense, após derrota por 2 a 1 em casa antes da eliminação nos pênaltis.
BAIXO APROVEITAMENTO
A SAF, que assumiu oficialmente o futebol do clube em junho de 2024 e passou a gerir o departamento desde janeiro daquele ano, definiu o VGD como casa do time assim que o estádio voltou a ter condições de receber jogos. Mas a escolha, na prática, não mudou o panorama: nenhum dos dois estádios tem garantido alta pontuação ao Londrina.
Desde o início da gestão da Squadra Sports, o Londrina disputou 48 jogos como mandante, sendo 33 no Café e 15 no VGD. O saldo é modesto: 18 vitórias, 20 empates e 10 derrotas, com 51,4% de aproveitamento.
No Café, sob a administração da SAF, o time registra 14 vitórias, dez empates e nove derrotas, desempenho de 52,5%. No VGD, o índice é semelhante, mas cai para 48,9%, com quatro vitórias, dez empates e uma derrota.
A PRESSÃO DO VGD
Apontado pela diretoria, jogadores e comissão técnica como trunfo por sua atmosfera mais intensa, o VGD também pode atuar contra o próprio time. Foi o que ocorreu diante do Sport, quando parte da torcida vaiou a equipe e direcionou críticas e xingamentos ao técnico Allan Aal durante a derrota.
Há um entendimento de que o ambiente pode pressionar ainda mais um elenco jovem. Por isso, o discurso do treinador, às vésperas do duelo contra o Ceará, é de união e apoio. Aal reforça que a cobrança é natural, mas deve ocorrer depois do apito final, e não durante os 90 minutos.
“Eu e os atletas temos que ser cobrados. Todos têm que ser cobrados. Futebol é resultado e desempenho. Pedimos ao torcedor que continue acreditando, principalmente no início, por se tratar de um grupo jovem. A atmosfera precisa ser favorável para nós”, afirmou o treinador, em meio à pressão pelo momento instável.
Ele reconhece o desgaste emocional do torcedor, mas reforça que a confiança precisa ser mútua. “Eu sei o quanto é difícil o torcedor ir ao estádio depois de um resultado ruim em casa ou de uma derrota fora, mas ele também sabe que a competição é longa e que não vamos ganhar todas. Cabe a nós incendiar o torcedor com a nossa atitude. Precisamos ter comprometimento, mostrar postura, coragem para jogar e tomar decisões. Isso vai trazer o torcedor para o nosso lado.”
Aal reforça que pedir paciência é complicado, mas necessário. “O futebol fica mais difícil quando a atmosfera em casa não é favorável. Isso atrapalha transformar o ambiente em resultado dentro de campo. A cobrança tem que acontecer, faz parte, mas depois do jogo.”


Matheus Camargo
Repórter de Esportes, com foco no Londrina Esporte Clube.





