O Londrina encerrará 2025 com a sensação de dever cumprido. A equipe atingiu as duas principais metas da temporada: chegou à semifinal do Campeonato Paranaense, o que garantiu o retorno à Copa do Brasil, e conquistou o acesso à Série B do Campeonato Brasileiro, O resultado recoloca o Tubarão no segundo escalão do futebol nacional e reforça a ideia de continuidade do projeto.
Com o fim da competição no último sábado, quando perdeu a final para a Ponte Preta, as primeiras definições para 2026 começaram a ser tomadas. A principal delas é a permanência do técnico Roger Silva, que teve o novo contrato publicado no Boletim Informativo Diário (BID) da CBF e seguirá à frente da equipe na próxima temporada.
De acordo com o executivo de futebol, Lucas Magalhães, o Londrina manterá a base de trabalho, mas também passará por ajustes internos. “A continuidade é a filosofia da SAF, mas estamos subindo de patamar e precisamos de algumas mudanças. Não apenas no elenco, mas também nos processos e na estrutura do clube. É necessário entregar mais como instituição para poder cobrar mais dos profissionais”, explicou o dirigente à rádio Paiquerê 91,7.
Uma das alterações em relação aos últimos anos será na montagem do elenco. O clube pretende iniciar o Campeonato Paranaense já com a espinha dorsal pronta, evitando formar um time apenas para o Estadual e reformular o grupo na Série B. A janela de transferências será utilizada apenas para ajustes pontuais.
Segundo Magalhães, o planejamento seguirá a linha adotada em 2025, mesclando jovens com jogadores experientes, mas elevando o nível de exigência técnica. A reapresentação do elenco está marcada para o dia 1º de dezembro, no estádio Vitorino Gonçalves Dias (VGD). Alguns atletas, ainda em atividade em outras divisões nacionais, se juntarão ao grupo posteriormente.
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VGD: SEDE PRINCIPAL
O VGD, aliás, seguirá como a casa do Londrina em 2026. O clube não descarta utilizar o estádio do Café em situações específicas, mas o objetivo é consolidar o VGD como sede principal. O local também será a base dos treinamentos até a conclusão da primeira etapa do novo centro de treinamento, prevista para o primeiro semestre do próximo ano, com dois campos e parte da estrutura administrativa prontos.
Paralelamente, a diretoria trabalha em melhorias no VGD. O estádio passará por uma nova fase de intervenções, com foco na modernização. O executivo explicou que a prioridade está sendo discutida junto ao CEO da SAF, Armando Chekerdemian, e dependerá do orçamento disponível.
A escolha por permanecer no VGD também tem valor simbólico. A diretoria entende o estádio como peça central no processo de reaproximação entre clube e comunidade, por estar localizado na área central da cidade e por carregar parte da história do Londrina. Magalhães acredita que esse vínculo pode ajudar a fortalecer o sentimento de pertencimento entre as novas gerações de torcedores.

“Caipira, pé-vermelho!”
O executivo de futebol também deu destaque à reaproximação dos torcedores com o Londrina. Segundo ele, esse movimento representa um resgate do orgulho cultural em relação à cidade. Em Campinas, alguns dos insultos direcionados ao Tubarão tiveram tom pejorativo, com o uso de termos como “caipira” e “pé-vermelho”. Para o dirigente baiano, esses adjetivos deveriam ser vistos como motivo de orgulho e identificação com o clube e com Londrina.
“Não quero fazer juízo de valor com o time que as pessoas torcem, sei que aqui há o costume de torcer para times de fora”, iniciou o dirigente. “Vi uma entrevista antiga do Ariano Suassuna em que ele dizia que, antigamente, se os Estados Unidos queriam dominar um país, mandavam dois navios de guerra. Hoje em dia, mandam Michael Jackson e Madonna. Pra ver como é antigo. E por que ele dizia isso? Porque é mais barato e eficiente. Quando se normaliza isso, você perde sua cultura”, continuou.
“Se normalizou em Londrina torcer para outros times. O Londrina ficou em segundo plano, ou nem isso. É um trabalho que leva tempo, de desconstrução. Para as pessoas voltarem a ter orgulho do Londrina, da sua cultura, do seu pé-vermelho. Sabe quando vamos lá em Campinas ou em outro lugar e nos chamam de ‘caipira’, de ‘pé-vermelho’? Isso me dói, e tem que doer em vocês também. Tem que doer na pessoa. Tem que ter orgulho de quem está representando sua história, sua cultura, seu povo. E o time que representa Londrina é o Londrina Esporte Clube”, completou Lucas Magalhães.





