O Londrina atingiu antecipadamente, no início de 2026, o patamar salarial que havia projetado apenas para o meio do ano. A informação foi confirmada pelo dono da SAF, Guilherme Bellintani, que reconheceu o aumento de custos, mas garantiu que isso não comprometerá o planejamento financeiro. Ainda em 2025, o dirigente havia afirmado que a meta era disputar a Série B com uma folha salarial mensal de até R$ 1,2 milhão, que seria uma das menores da competição, valor já alcançado desde fevereiro.

“A folha está acima do que imaginávamos para este período. Previmos chegar a R$ 1,25 ou R$ 1,3 milhão somente em julho, e já trabalhamos nesse patamar desde fevereiro, com o elenco atual. Mas, do ponto de vista orçamentário, estamos muito próximos do planejado”, explicou Bellintani, que reforçou: o clube irá ao mercado na janela de julho, sem cometer excessos. A próxima janela abre no dia 20 de julho.

Mesmo com a intenção de reforçar o elenco, o gestor afirmou que manterá prudência. “Precisamos estar atentos. Futebol não é planilha estática. Há momentos em que é preciso gastar um pouco a mais, e outros em que dá para gastar menos. É fundamental ter jogo de cintura para uma gestão eficiente”, disse o dono da Squadra Sports.

Bellintani lembrou que romper o teto orçamentário trouxe prejuízos ao clube no passado, antes da chegada da SAF, prática que ele assegura não praticar. “Assumimos oficialmente em junho de 2024 uma dívida de R$ 22 milhões, pré-SAF. Essa dívida existe porque, nos momentos de desespero, três, quatro, cinco jogos sem vencer, o Londrina, assim como tantos clubes, contratou mais do que podia. Entrou num ciclo de déficits, salários atrasados, impostos não pagos. Isso não vamos fazer de jeito nenhum”, afirmou.

Segundo ele, desde a chegada da SAF, parte desse passivo já começou a ser abatido. “Pagamos quase R$ 9 milhões em dois anos, embora o contrato preveja seis anos para quitação total”, revelou.

O dirigente também destacou uma cobrança adicional da CBF: em abril, os clubes da Série B precisarão comprovar salários em dia. Quem não cumprir perderá os valores de logística da competição, cerca de R$ 2,5 milhões, usados para viagens e hospedagens. Bellintani defendeu a importância da responsabilidade financeira. “Independentemente de R$ 1 milhão a mais ou a menos, temos de manter disciplina. Há clubes que subiram sem condições financeiras, hoje acumulando três, quatro, cinco meses de atraso. O Londrina está reescrevendo sua história”, afirmou.

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Patrocínios abaixo do previsto

Com a renegociação da Liga Forte União com a CBF, o Londrina garantiu um valor maior de cota para a Série B e receberá mais de R$ 14 milhões pela participação na competição. Na Copa do Brasil, foi além do planejado e alcançou a quarta fase, somando R$ 4,59 milhões em premiação.

Apesar disso, a arrecadação com patrocínios está abaixo do esperado. Desde terça-feira (28), Bellintani está na cidade para uma série de reuniões com empresários locais. Nem todas foram bem-sucedidas. Antes da coletiva, ele visitou uma empresa do ramo alimentício e saiu sem acordo, mas levou uma caixa de produtos, que distribuiu aos repórteres. “Saí sem o patrocínio, mas pelo menos presenteei vocês”, brincou.

O dirigente detalhou o déficit em relação aos patrocínios. “Previmos R$ 5,3 milhões em patrocínios e não chegamos nem a R$ 2 milhões direito. Para ser exato, estamos em R$ 2,050 milhões. Estamos sem patrocinador máster, sem bets. O patrocínio que imaginávamos está abaixo do lançamento”, afirmou. O Londrina segue em busca de um patrocinador máster para a parte central da camisa, espaço que foi ocupado pela Unicesumar de forma pontual no Campeonato Paranaense.

Bellintani relatou ainda que há equilíbrio no planejamento, mesmo com os poucos patrocinadores. “O plano de sócios e a arrecadação de arquibancada estão alinhados. Na Copa do Brasil e na Série B, ficamos acima. Mas, no volume final, e a receita está até um pouco à frente do imaginado. Claro que algumas despesas subiram: planejávamos atingir essa folha salarial só em julho. Como conseguimos trazer o Thalis antecipadamente e o Gilberto como oportunidade de mercado, a folha do primeiro semestre ficou mais alta agora”, explicou.

O Londrina está cerca de R$ 3,2 milhões abaixo no valor de patrocínios em relação ao que havia projetado para a temporada. O valor, porém, não compromete o orçamento final previsto para o ano. Mesmo assim, o clube segue em busca de um patrocinador máster para a disputa da Série B, espaço que ainda não conseguiu preencher.

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