O Flamengo se tornou o primeiro clube brasileiro tetracampeão da Libertadores. E poderia ter sido o Palmeiras. O Brasil confirma a hegemonia na competição na última década, vencendo oito das dez edições. É um poder absoluto do que o futebol no país vem apresentando na América do Sul.

Se para o Brasil isso significa superioridade externamente, deveria gerar preocupação internamente. Dos times brasileiros que chegaram à final nesses últimos anos, Palmeiras e Flamengo estão se distanciando demais dos outros clubes em organização, faturamento e conquistas. Mas também é resultado do quanto se planejou para estar neste cenário.

Os rivais do Flamengo não estão mais no Rio de Janeiro. Os rivais do Palmeiras não estão mais em São Paulo. O tetra do Rubro-Negro estabelece novos divisores para o futebol no país para quem quiser enxergar o esporte como ele realmente deve ser visto: um grande negócio. A paixão ficou só para o torcedor. E somente. Acabou o dirigente apenas passional pelo clube. Acabou o dirigente pela vitória a qualquer custo no seu mandato. Acabou o dirigente que queria vencer somente o rival e bastava.

Há um novo olhar diretivo já há algum tempo dos outros clubes para mudanças ou morte anunciada. Mas o processo não é fácil. O Cruzeiro tentou e sucumbiu. O Atlético-MG também tentou e está tropeçando. Grêmio e Internacional insistem em só olhar para a “aldeia” e estão afundando juntos. São Paulo e Corinthians mantêm gestões antigas que escondem os problemas nas sucessões e vão sucumbir, inevitavelmente.

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As SAFs são o meio do caminho em organização e conquistas como já mostrou o Botafogo e encaminha o Bahia, mas é um processo mais lento dentro do sistema brasileiro. Flamengo e Palmeiras estão vencendo não é porque têm os melhores times. E, sim, porque enxergaram como o futebol moderno deve ser gerido. Sofreram e entenderam que a grande vitória não está só em vencer o maior rival, está em visualizar o “macro” do negócio futebol mesmo com reforços.

Julio Oliveira é jornalista e locutor esportivo da TV Globo

* A opinião do colunista não representa, necessariamente, a da Folha de Londrina

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