O lançamento oficial do Fair Play Financeiro da CBF, na última quarta-feira (26), acendeu o alerta entre os clubes para a responsabilidade necessária a fim de evitar punições nos próximos anos. No caso do Londrina, que participou do Summit CBF Academy 2025 com o executivo de futebol Lucas Magalhães, a nova diretriz reforça o plano adotado desde a chegada da Squadra Sports: trabalhar com um orçamento realista e evitar gastos acima da arrecadação.

A meta do clube é manter o planejamento anual dentro dos R$ 25 milhões previstos e não ultrapassar o teto da folha salarial, estimado em R$ 1,2 milhão mensais, conforme anunciado por Guilherme Bellintani, dono da SAF. Inicialmente, Bellintani projetava que o Londrina teria a menor folha da Série B. No entanto, o cenário mudou quando o site Ge revelou que o Avaí, pressionado por dívidas e pela necessidade de adequação às novas regras, reduzirá sua folha para cerca de R$ 670 mil, praticamente a metade do valor que o Londrina pretende investir.

A tendência é que outros clubes sigam o mesmo caminho, já que o setor vive um momento de esgotamento financeiro. “O mercado está inflacionado, mas estamos vivendo uma virada de chave. A bolha está estourando. O dinheiro das bets está diminuindo, assim como as cotas de TV e adiantamentos das ligas. Com o Fair Play Financeiro, todos vão precisar se readequar”, afirmou Lucas Magalhães à rádio Paiquerê 91,7. Ele destacou ainda o exemplo catarinense: “O Avaí apresentou o orçamento do próximo ano e terá uma folha de R$ 670 mil para honrar dívidas. Todo mundo vai ter que se ajustar à realidade.”

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Fair Play Financeiro

A CBF lançou as bases do Fair Play Financeiro, que vai impor controle rígido das finanças dos clubes e maior transparência nas operações. O sistema prevê monitoramento de dívidas em atraso em três janelas anuais e exige que todas as transações sejam registradas em plataforma própria da entidade. Um novo órgão independente, a ANRESF, será responsável por fiscalizar o cumprimento das regras e poderá ser acionado por clubes ou atletas para apontar atrasos.

Os clubes terão de manter equilíbrio operacional, apresentando superávit. Em caso de déficit, será considerada a soma dos três últimos anos. Na Série B, por exemplo, o limite de déficit será de R$ 10 milhões ou 2,5% da receita. Outra regra determinante é o teto para gastos com futebol profissional, limitado a 70% das receitas líquidas.

As demonstrações financeiras deverão ser entregues até 30 de abril, com auditoria independente, e o orçamento anual deve ser aprovado e enviado até 15 de dezembro. O período de transição vai até 2027, com punições valendo de forma definitiva a partir de 2028. As sanções incluem multa, retenção de receitas, transfer ban, perda de pontos, rebaixamento e até cassação de licença.

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