A última década foi marcada por um incremento no volume de empreendedores jovens no País. É o que revela um levantamento do Sebrae com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADc), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No período que compreende o último trimestre de 2013 até os últimos três meses de 2023, No período que compreende o último trimestre de 2013 até os últimos três meses de 2023, a quantidade de empreendedores cresceu 23% no Brasil.

Segundo o recorte do Sebrae, no último trimestre de 2023, os jovens representavam 16,5% do total de quase 30 milhões de donos de negócios no país e a quantidade de empreendedores jovens cresceu 23% no Brasil.

A maioria atua no setor de Serviços e reside na região Sudeste (41,3%) e Nordeste (23,6%). Além disso, 91,4% são empreendedores por Conta Própria – ou seja, estão à frente de um empreendimento (com ou sem CNPJ), sozinhos ou com sócio, mas não possuem empregados – e apenas 8,6% são Empregadores.

Com mais de 20 anos de dedicação ao balé e 10 ao pilates, Aline Hernandes acaba de integrar o cenário descrito acima e sua atitude pode ser considerada um jeté:, do francês, um salto de um pé para o outro. De modo planejado e com encorajamento, a jovem considera que esse recomeço, em modo solo, é parte de um processo de maturidade.

A credibilidade conquistada nos anos todos em que atuou como professora de balé e pilates em escolas foram essencias para a a construção de sua credibilidade, assim como a confiança das pessoas em seu trabalho serviu a ela como um impulso para a tomada de decisão.

Cercada de perspectivas, a bailarina agora investe no @coreballetoficial. O Core Ballet é uma modalidade híbrida que combina a elegância e a técnica do ballet clássico com a precisão e o fortalecimento do pilates", explica. Hernandes conta ainda que a prática tem se consolidando. "A marca está ganhando força e lançarei essas aulas online", divide.

A empreitada neste momento confirma para a jovem como a arte é fundamental de sua identidade. "Minha mãe me apresentou a arte por meio da pintura em tecido e tenho até hoje os guardanapos pintados a mão por ela. Depois, foi a vez de ela me apresentar ao balé, algo que eu escolhi e compreendo o seu papel o transformador. Transforma a realidade, transforma o jeito que você vê o mundo, a forma com que você comunica, quem você é ou que você é e isso é muito rico", declara.

Ao analisar o mercado, a bailarina considera diferentes aspectos ligados à geografia, comportamento e bem-estar. Atenta às transformações e segura de seu potencial para cuidar das pessoas, segue investindo em atendimento, ampliando seus conhecimentos e disposta perante os novos desafios. "Analiso o mercado, o que está acontecendo, a necessidade de meu público específico e o que acontece no entorno e no mundo", cita.

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MAIS NEGROS EMPREENDENDO

Nos últimos 10 anos (2013-2023), o número de empreendedores negros no Brasil cresceu 22%, superando a performance dos donos de pequenos negócios brancos, que registraram uma alta de 18%. Segundo estudo realizado pelo Sebrae com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADc), em 2013 existiam 12,8 milhões de pessoas negras donas de negócios e 11,7 milhões de pessoas brancas, saltando, em 2023, para 15,6 milhões e 13,8 milhões, respectivamente. Esse aumento permitiu que, nesse período analisado, a diferença entre pessoas empreendedoras pretas e pardas, em relação às brancas, ampliasse de 1,1 milhão para 1,8 milhão.

Os dados revelam, ainda, que a proporção de empreendedores negros, quando comparada com o universo da população brasileira de pessoas pretas e pardas, passou de 15,3% para 15,9%, de 2013 para 2023. Ou seja, no último trimestre do ano passado foram contabilizados 15,6 milhões de empresários negros num universo de 98,4 milhões de pessoas negras no país com mais de 14 anos – em 2013, essa proporção era de 12,8 milhões em um universo de 83,6 milhões.

Já entre os empreendedores brancos, a taxa foi de 18,5%, o que significa que, em cada grupo de 100 brasileiros brancos com mais de 14 anos existiam, aproximadamente, 19 empreendedores, enquanto no empreendedorismo negro, a relação é de 16 donos de negócio pretos ou pardos em uma parcela de 100 pessoas negras.

De acordo com a pesquisa, ao longo dos anos, os negros donos de negócios estão mais escolarizados, aumentando a renda e melhorando a situação, saindo da informalidade e contribuindo em maior número com a Previdência. Mas ainda há uma grande lacuna em relação aos empreendedores brancos. A proporção de empresários com CNPJ, por exemplo, é 18,6 pontos percentuais maior entre os empreendedores brancos, em relação aos pretos e pardos.

Características do perfil do empreendedor jovem:

- A maioria é homem: 62,6% contra 37,4% de mulheres no último trimestre de 2023;

- A maioria se autodeclara negro (pretos ou pardos): 57,7% contra 41,3% de brancos no último trimestre de 2023;

- No último trimestre de 2023, 45,5% tinham o Ensino Médio Completo, um incremento de 20 pontos percentuais (p.p) em dez anos; e 25,9% possuem o Ensino Superior incompleto ou mais, uma alta de 10,7 p.p. na última década. Algo que representa uma forte evolução da escolaridade nessa faixa etária;

- Dedicam, em média, 37 horas semanais ao seu negócio, contra 40 horas semanais dos adultos (30 a 59 anos), o que pode ser reflexo de contextos mais amplos como a entrada no mercado de trabalho e a divisão do tempo com os estudos.

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