Escolher a profissão é um momento delicado na vida de um jovem. A falta de experiência e a insegurança exercem enorme pressão para quem planeja com o que vai trabalhar e precisa, por muitas vezes, se dividir entre a vocação e a aposta por uma carreira bem-sucedida. A grande dúvida, mesmo de quem já tem profissão e busca um novo rumo, é saber quais os ramos em crescimento que valem investir tempo e dedicação. Especialistas fazem suas apostas sobre quais áreas devem ter ascensão em 2019. "Trabalho com grandes empresas e tenho a experiência dos profissionais mais demandados. Além de temas que estão na moda, como gastronomia, a tecnologia dita novos comportamentos. Novas funções surgem a todo o momento e quem quer ter bons resultados deve ficar atento ao mercado e às necessidades", avalia Ronaldo Cavalheri, CEO do Centro Europeu, uma escola de economia criativa que oferece cursos em diversos segmentos.

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Uma das principais áreas é o mercado de tecnologia. O setor está em alta há décadas e Londrina vem despontando nessa direção. Há várias empresas de grande porte do ramo instaladas na cidade. Foi nesse sentido que o analista Felipe Sampaio fez sua aposta e, diga-se de passagem, acertou em cheio. Aos 21 anos, depois de fazer estágio e conseguir o primeiro emprego, foi promovido. Formado pela UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), em Cornélio Procópio, como analista de sistemas, o jovem londrinense sempre foi apaixonado por informática. Com uma bolsa, estudou Tecnologia da Informação e Programação no Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), mas sempre teve como meta profissional trabalhar em uma grande empresa. Hoje, funcionário da gigante multinacional francesa Atos, que tem sucursal na cidade, ele amplia seus horizontes. "Londrina se tornou um polo no setor de tecnologia. Meus colegas de trabalho estão empregados, conheço outras pessoas que querem vir para cá, de São Paulo, em busca de oportunidade", conta.

Felipe Sampaio, 21 anos, focou sua formação na área de tecnologia e conquistou uma vaga na unidade londrinense da gigante multinacional francesa Atos
Felipe Sampaio, 21 anos, focou sua formação na área de tecnologia e conquistou uma vaga na unidade londrinense da gigante multinacional francesa Atos | Foto: Gina Mardones



A enorme especialização que a área de tecnologia alcançou multiplicou o número de segmentos. Um dos mais conhecidos é o de redes sociais. As muitas redes repletas se seguidores fez surgir diversos profissionais. O principal deles é o especializado em mídias digitais, que cuida do canal de relacionamento das empresas com os clientes. "É preciso gerar engajamento, pois isso é o que impacta diretamente nos resultados de vendas", explica Cavalheri. Também relacionado à mesma área está o Cientista de Dados. Essa nova função tem como papel fundamental definir estratégias assertivas para promover uma análise adequada do enorme volume de informação gerada a partir do mundo digital. "Essa é uma área em expansão para quem trabalha com informática, processamento de dados e estatística", aponta o especialista. Há ainda uma aposta para quem investe em sua própria personalidade e vê uma chance em se arriscar como digital influencer, ditando estilo de vida e se tornando embaixador de marcas e produtos.

A influência da tecnologia não irá escapar a nenhum ramo de profissões. É o que aponta o economista Adeildo Nascimento, presidente da ABRH-PR (Associação Brasileira de Recursos Humanos - Paraná). Ele afirma que todas as indústrias irão depender do conhecimento em informática, no que é chamado de Quarta Revolução Industrial. "Mesmo profissionais de humanas deverão ter que ter algum conhecimento em codificação, entender de inteligência artificial. Hoje o mercado já demanda muitos desses profissionais e não encontra", avalia Nascimento, que ainda prevê que as mudanças econômicas e políticas tendem a mudar o cenário dos empregos. "Há uma expectativa de um ambiente mais liberal e, com isso, a entrada de capital estrangeiro, o que pode apontar uma influência negativa no nosso parque industrial, que é muito atrasado. Por outro lado, pode implicar em salários mais altos em áreas técnicas", pondera.

Um dos pontos fundamentais para avaliar em qual área se deve investir profissionalmente é manter o olhar atento sobre as mudanças socioculturais, assim como os primeiros sinais. O envelhecimento da população brasileira pode ser considerado um bom exemplo. Segundo informações do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o País superou a marca de 30 milhões de pessoas com mais de 60 anos. Os dados da PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) divulgados no ano passado apontam um aumento de 19% nos últimos cinco anos. Esse retrato aponta a necessidade de profissionais que lidem com a terceira idade e a chegada dela, como gerontólogos, que cuidam da saúde e bem-estar de idosos, conselheiros de aposentadoria e cuidadores. "As pessoas devem ficar muito atentas às tendências e às necessidades. Dificilmente as pessoas terão uma só profissão pela vida inteira", pontua Ronaldo Cavalheri.

Na formação profissional, o perfil também está bem diferente. Se ter um bom currículo dependia de cursar uma faculdade de qualidade, ter domínio de idiomas variados e colecionar diplomas de pós-graduações, agora o fundamento da busca das empresas nas novas funções são as habilidades desenvolvidas. Vale muito a capacidade de cada indivíduo de ir em busca de conhecimento. "Os profissionais precisam ir além e buscar a própria capacitação. Cada vez mais, o próprio desenvolvimento é valorizado. Há um enorme número de cursos oferecidos de forma gratuita na internet, até em grandes instituições de outros países", conclui Nascimento, que aponta que, num cenário tão diverso, o autodesenvolvimento é fundamental.

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