Zona Leste de Londrina vive ‘boom’ imobiliário
Antes dominada por casas, região da Salgado Filho está recebendo mais de mil moradias em prédios de até 12 andares. Valorização chega a 35%
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quarta-feira, 29 de outubro de 2025
Antes dominada por casas, região da Salgado Filho está recebendo mais de mil moradias em prédios de até 12 andares. Valorização chega a 35%

A região da Zona Leste nos arredores do entorno da Avenida Salgado Filho, em Londrina, tornou-se um dos principais polos de expansão do mercado imobiliário voltado a unidades de padrão médio e econômico. De acordo com o vice-presidente da Regional Norte do Secovi (Sindicato da Habitação), Paulo Eduardo de Oliveira, há atualmente mais de mil unidades habitacionais em construção ou lançamento na região, o que representa um VGV (Valor Geral de Vendas) estimado em R$ 250 milhões.
Os empreendimentos são formados por prédios de até 12 andares, equipados com playground, piscina e academia, atendendo famílias que buscam imóveis compactos, com áreas entre 40 e 60 metros quadrados, mas inseridos em condomínios com boa infraestrutura.
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“Estamos falando de produtos de padrão médio a econômico. As construtoras começaram a olhar para essa região com outros olhos”, afirma Oliveira. “De 2021 para 2025, mais do que duplicou o número de empreendimentos verticais, e a projeção é de aproximadamente 40 novos projetos até 2027.”
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Segundo o vice-presidente do Secovi Norte, o movimento de verticalização foi impulsionado pelo Arco Leste, obra viária inaugurada em 2021 que melhorou o fluxo e a conexão entre diferentes regiões da cidade. “O Arco Leste foi um marco. Essa região é hoje uma das que mais cresce em Londrina”, diz.
Na prática, o mapa da construção comprova a força do setor. Somente na Rua Delma Lúcia há 420 unidades em lançamento, além de 314 em obras. Na Rua Lázaro Zamenoff, mais 274 unidades estão em construção. Somadas, essas frentes representam mais de mil apartamentos já em andamento, com destaque para empreendimentos da Vittà Residencial, que atua fortemente na área.

Oliveira explica que a valorização dos terrenos locais tem acompanhado o ritmo acelerado de obras. “Os terrenos da região valorizaram entre 30% e 35% nos últimos anos. Esse crescimento gera uma transformação urbana importante, consolidando a área como uma zona de densidade média-alta”, observa.
Além da infraestrutura e da valorização, a região também se destaca pela proximidade com o Aeroporto José Richa e com a UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), fatores que favorecem tanto a compra para moradia quanto o investimento em locação. “Londrina ainda tem um déficit habitacional e uma forte demanda estudantil. Isso faz da Zona Leste um ponto estratégico para investidores e para quem busca o primeiro imóvel”, explica o dirigente.
Oliveira ressalta que o londrinense “aprendeu a viver no vertical” e que a preferência por condomínios com lazer e segurança segue em alta. “Essas mil unidades que estão em construção ou lançamento já mostram o novo perfil da cidade. São prédios com piscina, academia e estrutura comparável à de regiões mais consolidadas, como a Gleba Palhano, mas com valores acessíveis”, diz.
Para os próximos anos, o cenário é de continuidade no crescimento. “Até 2027 devemos receber cerca de 50 empreendimentos verticais na região. É uma visão estratégica de mercado, baseada em pesquisa e na demanda real da população”, projeta o vice-presidente do Secovi Norte.
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Investimentos em Londrina
A Caixa Econômica Federal, responsável pela maior parte do crédito imobiliário no país, informou que atualmente há mais de 11,2 mil unidades habitacionais em construção em Londrina, que poderão ser enquadradas no programa MCMV (Minha Casa, Minha Vida) na modalidade Mercado, totalizando R$ 2,87 bilhões em investimentos. O enquadramento ocorre no momento da venda e do financiamento, conforme a renda dos compradores, abrangendo as faixas I, II, III e Classe Média.
Além disso, segundo a instituição, outras 900 unidades habitacionais estão em construção na cidade, nas modalidades FAR, FDS e Rural, somando R$ 131 milhões em recursos aplicados. No total, o investimento em habitação no município ultrapassa R$ 3,1 bilhões.
O Ministério das Cidades também destacou o impacto do Novo Minha Casa, Minha Vida na geração de moradias e na movimentação econômica. Conforme a pasta, 1,8 milhão de contratos foram firmados em todo o país nos últimos três anos, com R$ 283 bilhões investidos.
Em Londrina, o programa já autorizou 1.031 unidades habitacionais, com R$ 149 milhões em investimentos, além de beneficiar 9.982 famílias por meio de financiamentos que totalizam R$ 1,6 bilhão, sendo 35% delas de baixa renda.
No Paraná, o programa viabilizou 6.899 novas unidades e financiou outras 119 mil moradias, alcançando mais de 125 mil famílias no período recente, consolidando o Estado entre os principais beneficiários da política habitacional federal.
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Luis Fernando Wiltemburg
Repórter de Cidades.





