Vandalismo e furtos: 70 túmulos são violados em Londrina
Número foi levantado pela Acesf; ocorrências foram registradas no Cemitério Jardim da Saudade em dois meses
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 28 de outubro de 2025
Número foi levantado pela Acesf; ocorrências foram registradas no Cemitério Jardim da Saudade em dois meses

O Cemitério Jardim da Saudade, localizada na zona norte de Londrina, é alvo de vandalismo e de furtos. De acordo com um balanço da Acesf (Administração dos Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina), ao menos 70 túmulos foram violados nos últimos dois meses.
O superintendente da Acesf, Péricles Deliberador, explicou que a administração registrou boletins de ocorrência de todos os furtos, assim como também orientou à população a fazer o registro.
Ao caminhar pelo cemitério, é possível encontrar diversos túmulos que tiveram alguma peça furtada, já que as marcas da cola não deixam dúvidas. Nomes, fotos e um pouco da história de cada um é levada embora e vendida no comércio ilegal.
Para evitar passar por esse tipo de situação, o aposentado Matheus Faria, 76, optou por utilizar um material diferente de bronze nas placas de identificação nos jazigos da esposa, mãe e pai. “Pelo menos eles não pegam porque não tem valor para eles”, afirma. O que ele mais lamenta é o fato de saber que algumas pessoas têm coragem de furtar túmulos no cemitério. “A gente queria fazer alguma coisa bonita, mas se coloca eles levam embora”, complementa.
O pedreiro Juari José de Oliveira, 46, disse que as peças do túmulo da vizinha foram furtadas há pouco tempo. No jazigo da mãe, que faleceu no final de julho, ele optou por colocar placas de bronze, mas fica com receio de que o mesmo aconteça ali. “Não é barato, então para a gente é um desconforto”, explica, opinando que muitos acabam deixando o túmulo o mais simples possível para evitar possíveis furtos.
Leia mais:
Guarda Municipal
O superintendente da Acesf explica que a GM (Guarda Municipal) faz o monitoramente de todos os cinco cemitérios municipais urbanos e dos oito localizados nos distritos, inclusive no período noturno, sendo que os agentes têm a chave para poder acessar os espaços mesmo quando estão fechados. “Todos os dias eles fazem a movimentação necessária em todos os cemitérios”, afirma.
Segundo Deliberador, um dos principais problemas são os receptadores, ou seja, quem compra as peças. “Se não existissem essas pessoas, ninguém furtaria”, opina. Os alvos dos criminosos são as peças de bronze em que são colocados o nome, as informações de falecimento e fotos. O quilo desse material custa entre R$ 30 e R$ 50.

O superintendente explica que a ação dos criminosos é muito rápida: durante o dia, eles retiram e escondem as peças e, à noite, retornam para buscar. O Jardim da Saudade tem mais de 125 mil metros quadrados e o muro tem mais de dois metros de altura.
Nos casos em que as peças são recuperadas pela polícia, os familiares são comunicados e podem optar por recolocar as placas.
Deliberador explica que muitas pessoas têm deixado de utilizar o material nos jazigos por conta desse tipo de crime. Além disso, as famílias ficam abaladas ao saberem do furto, já que é uma violação à memória dos entes falecidos. “Mexe com a história da família”, observa.

Câmeras de segurança
Até o momento, o único cemitério que conta com sistema de monitoramento por câmeras de segurança é o São Pedro, na região central, mas a expectativa, de acordo com Deliberador, é de que os equipamentos também sejam instaladas nos demais em 2026. As câmeras têm ligação direta com a central de monitoramento da GM.
No São Pedro, os furtos diminuíram consideravelmente por causa das câmeras, aponta Deliberador, mas alguns casos ainda são registrados. O cenário é o mesmo nos demais cemitérios, com furtos pontuais, sendo que o caso mais alarmante é o do Jardim da Saudade.

Ele ressalta que é necessário avançar em uma investigação pós-furto por parte da Polícia Civil, principalmente envolvendo os receptadores do material. Segundo ele, a GM prendeu em flagrante alguns criminosos nas últimas semanas, mas foram liberados dias depois pela Justiça. “Eles estão na rua e continuam furtando”, lamenta.
A reportagem entrou em contato com a Polícia Civil e com a Guarda Municipal e aguarda um posicionamento.
*********
Acompanhe as notícias de Londrina e região no canal da Folha de Londrina no WhatsApp


Jéssica Sabbadini
Repórter com atuação na cobertura local.




