As vendas no comércio varejista cresceram 0,5% em outubro na comparação com setembro, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio divulgada pelo IBGE. É a maior alta em meses seguidos desde março deste ano, quando o setor havia avançado 0,7%. Na comparação com outubro de 2024, o comércio registrou aumento de 1,1%. No acumulado de 12 meses, porém, a alta é de 1,7%, o menor resultado desde dezembro do ano passado, quando chegara a 4,1%.

Com o desempenho de outubro, o varejo permanece 0,5% abaixo de seu nível recorde, registrado em março, mas segue 9,6% acima do patamar pré-pandemia, medido em fevereiro de 2020. A série histórica do IBGE tem início no ano 2000.

A retomada de outubro foi disseminada: sete das oito atividades pesquisadas apresentaram crescimento. Os principais avanços ocorreram nos segmentos de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (3,2%), combustíveis e lubrificantes (1,4%) e móveis e eletrodomésticos (1,0%). Também houve altas em livros, jornais, revistas e papelaria; outros artigos de uso pessoal e doméstico; produtos farmacêuticos; e no grupo de hiper e supermercados. A única queda veio do setor de tecidos, vestuário e calçados.

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Segundo o gerente da pesquisa, Cristiano Santos, a venda de computadores, celulares e eletrodomésticos foi determinante para o resultado do mês. Ele explica que a desvalorização do dólar favoreceu produtos importados, somada ao efeito de promoções do período. Santos também aponta uma combinação de fatores que estimularam o consumo, como a desaceleração da inflação — com deflação em itens como alimentação no domicílio, móveis e eletrodomésticos —, o mercado de trabalho aquecido e o aumento de 2,1% no crédito à pessoa física em outubro.

O pesquisador destaca ainda que o crédito às famílias tem sido menos afetado pela taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 15% ao ano. A política monetária mais restritiva tem como objetivo segurar a inflação, que ficou por 13 meses acima da meta estabelecida pelo governo.

No varejo ampliado, que inclui veículos, motos, material de construção e atacarejo de alimentos e bebidas, houve alta de 1,1% de setembro para outubro. No acumulado de 12 meses, o segmento está estável. O bom desempenho em outubro, segundo Santos, foi influenciado especialmente pelo setor automotivo e pelo atacado especializado em alimentos, bebidas e fumo.

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