A SRP (Sociedade Rural do Paraná) reiterou, nesta terça-feira (15), seu posicionamento contrário à instrução normativa que autoriza a suspensão de vacinação contra febre aftosa no Estado, como vinha fazendo nos últimos anos em relação ao tema. A entidade, que congrega grandes pecuaristas, afirmou que irá respeitar a decisão do governo federal e que espera que a medida dê certo. Mas disse não ver pontos positivos na medida.

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. | Foto: Jonas Oliveira/AEN

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“Nossa posição é a mesma dos últimos anos. Nosso entendimento é de que o fechamento deveria ser em bloco, como havia sido proposto pelo Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária). Mas já está feito, deixa quieto”, declarou o presidente da SRP, Antônio Sampaio. “O que se diz que é vantagem para o pecuarista, não é.”

A suspensão da vacinação, afirmou Sampaio, não elevará os ganhos dos produtores. Ele cita como exemplo Santa Catarina, estado onde a vacinação foi interrompida há 19 anos e, segundo ele, não resultou em aumento da lucratividade aos pecuaristas. O presidente da SRP também cita o risco de reincidência da doença no Paraná. “Corremos um risco desnecessário para conseguir um status livre de aftosa, que é uma medalha e não põe dinheiro no bolso do produtor.”

Com exceção dos animais para abate imediato transportados em carga lacrada, a instrução normativa também proíbe, a partir de janeiro de 2020, a entrada no Estado de bovinos e bubalinos vacinados, o que deve prejudicar os produtores que trazem animais de outros estados para melhoramento do rebanho. “Não vai ter renovação de sangue. Vai ser um prejuízo do ponto de vista genético. A pecuária bovina de corte perde. As vantagens apontadas não cobrem o que se perde”, ressaltou Sampaio.

A abertura de novos mercados para aves e suínos, apontada pela ministra da Agricultura, Tereza Cristina, como uma das vantagens da suspensão da imunização dos rebanhos, também não empolga os pecuaristas. “Nós temos demanda hoje. Não nos falta mercado”, afirmou Sampaio, que ainda prevê dificuldades na contratação de fiscais de barreira sanitária até o final do ano, como prometeu . “O governo terá que contratar 80 fiscais e uma contratação do Estado demora, no mínimo, oito meses para acontecer porque tem que fazer edital. “Não vai contratar (até o final do ano, como pretende o governo).”

O presidente da SRP lembrou que a entidade preparou dois estudos técnicos sobre o tema, no qual estão baseadas as suas alegações, e lamentou que o documento não tenha sido considerado na decisão de suspender a vacinação de aftosa. “Ninguém leu”, disse. Ele frisou, no entanto, que o posicionamento da SRP representa apenas uma “divergência de opinião”. “Não temos problema com o secretário (da Agricultura, Norberto Ortigara) e o governador. Eles têm um entendimento e nós temos outro. Vamos torcer para que dê certo, eu quero estar errado, mas temos que dizer que somos contra. Amanhã, se acontecer alguma coisa, estará registrada a nossa discordância.”

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