Setor madeireiro reforça defesa contra possíveis novas tarifas nos EUA
Comitiva brasileira participou de audiências técnicas em Washington com o objetivo de dissuadir o governo americano de impor novas sanções a produtos nacionais
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 08 de julho de 2026
Comitiva brasileira participou de audiências técnicas em Washington com o objetivo de dissuadir o governo americano de impor novas sanções a produtos nacionais
Patrícia Maria Alves e Celso Felizardo 

O setor de madeira processada do Brasil, representado pela Abimci (Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente), deixou as audiências públicas nos Estados Unidos com uma avaliação cautelosamente otimista. O superintendente da entidade, Paulo Pupo, destacou que o encontro teve um perfil técnico e que as justificativas brasileiras para evitar novas taxações foram bem recebidas pelas autoridades americanas.
A estratégia da defesa brasileira foca na complementaridade, argumentando que os produtos nacionais não são concorrentes diretos da indústria local dos EUA. Segundo Pupo, as perguntas das autoridades americanas demonstraram sinergia com essa linha de raciocínio. "As perguntas também não foram capciosas, elas foram técnicas, sempre perguntando se existem outros suprimentos ao redor do mundo, se o Brasil é essencial", afirmou o executivo, ressaltando que a expectativa é positiva caso a análise técnica prevaleça sobre a política
A preocupação do setor fundamenta-se no histórico recente e na dependência do mercado norte-americano. Atualmente, os Estados Unidos absorvem cerca de 50% de toda a exportação de madeira processada do Brasil
Pupo recorda que o setor já sofreu impactos severos no ano passado, com demissões e redução drástica na produção quando as tarifas chegaram a 50%. Embora essas taxas tenham sido consideradas ilegais pela Suprema Corte americana em fevereiro, a ameaça de uma nova taxação de 25% coloca o setor em alerta máximo.
Relação consolidada
Pupo explica que o argumento central junto ao governo e empresas americanas é que a taxação prejudica o próprio importador dos EUA. "Não é taxando o produto brasileiro que vai solucionar ou vai levar a produção para os Estados Unidos. E sim o importador americano vai ter que desenvolver novos parceiros, deixando para trás uma relação já consolidada com o produto madeireiro brasileiro há muitos anos", destacou.Ele enfatiza que muitos produtos nacionais foram concebidos especificamente para atender às normas da construção civil americana. A diversificação de mercados, embora existente, não é uma solução imediata para o volume exportado aos americanos. De acordo com o superintendente, mercados como México, Europa e Ásia não possuem capacidade para absorver o excedente caso o fluxo para os EUA seja interrompido. "Não é tão simples uma mudança de destino das mercadorias nem em curto e nem em médio prazo", alertou.
Entidade cobra empenho do governo
Diante do prazo de 15 de julho, data prevista para o encerramento da investigação da "Seção 301" pela autoridade americana, a Abimci reforça a necessidade de uma atuação conjunta com o governo federal brasileiro. Para Pupo, embora as entidades façam sua parte, o desfecho depende de negociações de alto escalão. "O setor ele faz uma diplomacia comercial até um certo limite, até um certo teto, mas a decisão tarifária é em nível governamental", concluiu, pedindo que o Itamaraty e o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) usem todos os canais diplomáticos para evitar sanções que considera injustas.


