Reflexões sobre os Desafios e as Práticas Desleais de Mercado
O Código de Defesa do Consumidor (CDC) é um pilar de proteção, promulgado em 1990, representa um marco na história dos direitos dos consumidores no Brasil
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 17 de março de 2025
O Código de Defesa do Consumidor (CDC) é um pilar de proteção, promulgado em 1990, representa um marco na história dos direitos dos consumidores no Brasil
Jussara Santos Ferri 

O mês de março é um mês significativo para os consumidores, pois é comemorado em 15 de março o Dia Internacional do Consumidor, um momento para refletirmos sobre os direitos do consumidor e os desafios enfrentados em um mercado cada vez mais dinâmico e, por vezes, complexo. Durante este período, diversas campanhas promocionais são realizadas, com o intuito de gerar visibilidade sobre os direitos dos consumidores, mas também trazem à tona uma reflexão importante: como o Código de Defesa do Consumidor (CDC) ajuda a proteger os indivíduos diante de um cenário repleto de ofertas agressivas e práticas desleais de mercado?
O Código de Defesa do Consumidor (CDC) é um pilar de proteção, promulgado em 1990, representa um marco na história dos direitos dos consumidores no Brasil. Ele surgiu com o objetivo de equilibrar as relações de consumo e garantir que as empresas atuem de maneira ética e transparente. O CDC se baseia na ideia de que os consumidores são, em sua maioria, vulneráveis frente ao poder econômico das empresas, e, por isso, merecem proteção jurídica.
Entre os direitos fundamentais garantidos pelo CDC, destacam-se a informação clara e adequada sobre os produtos e serviços, a proteção contra práticas comerciais abusivas, e a possibilidade de arrependimento em compras realizadas fora do estabelecimento comercial. Em um mercado tão vasto e repleto de opções, essas garantias são essenciais para assegurar que os consumidores possam fazer escolhas informadas e justas.
Por outro lado, uma realidade das ofertas e das práticas desleais, com a crescente concorrência no mercado, as empresas têm se tornado mais agressivas em suas estratégias de marketing. O mês do consumidor, por exemplo, é uma excelente oportunidade para que as lojas ofereçam descontos e promoções. No entanto, essas ofertas nem sempre são tão vantajosas quanto parecem. O desafio do consumidor moderno não está apenas em identificar boas ofertas, mas em distinguir entre promoções legítimas e estratégias enganosas que visam manipular o comportamento de compra.
Práticas como publicidade enganosa, vendas casadas, ofertas falsas de descontos, omissão de informações essenciais, nas compras fora do estabelecimento comercial uma onda de golpes virtuais, são apenas algumas das táticas que podem prejudicar o consumidor. Embora o CDC proíba tais condutas, muitas empresas ainda tentam burlar a legislação para aumentar seus lucros, colocando em risco a confiança dos consumidores.
Além disso, a questão das cláusulas abusivas em contratos e as políticas de devolução muitas vezes desfavoráveis ao consumidor continuam a ser um desafio. Mesmo com o CDC em vigor, a falta de transparência nas informações contratuais e a dificuldade de exercício dos direitos do consumidor em situações de compras online ou em grandes varejistas são problemas comuns.
Embora o CDC forneça uma base sólida de proteção, o maior desafio para os consumidores, especialmente em tempos de economia digital, é o desconhecimento ou falta de educação sobre seus direitos. A oferta massiva de produtos e serviços, combinada com a intensificação das campanhas publicitárias, pode criar uma sensação de pressão, fazendo com que muitas pessoas tomem decisões de compra precipitadas.
O consumidor precisa estar bem-informado sobre seus direitos e saber como reconhecer práticas abusivas. Muitos ainda não sabem como agir diante de uma oferta enganosa ou como exigir um produto com defeito ou um serviço mal prestado. Portanto, além da proteção legal, é fundamental que o consumidor tenha acesso a ferramentas educativas que o ajudem a navegar nesse ambiente de consumo cada vez mais desafiador.
A fiscalização, por parte de órgãos como o Procon, a Senacon, a Defensoria Pública e o Ministério da Justiça, é crucial para garantir que as empresas cumpram com a legislação e que os consumidores sejam devidamente protegidos. Além disso, a conscientização sobre os direitos do consumidor é essencial para que os indivíduos possam reivindicar o que é seu por direito.
O Mês do Consumidor serve não apenas para celebrar as vitórias e avanços nas garantias dos direitos dos consumidores, mas também para refletir sobre os desafios que persistem. Apesar da existência de um Código de Defesa do Consumidor robusto, a proteção dos direitos do consumidor é um esforço conjunto. Empresas devem ser transparentes e responsáveis, órgãos de defesa devem reforçar a fiscalização, e consumidores devem se informar e agir de maneira consciente. Só assim, juntos, podemos promover um mercado mais equilibrado, ético e justo para todos.
Portanto, neste mês de março, celebramos não só as conquistas, mas também a necessidade de continuar a luta por um mercado mais justo, onde as ofertas sejam genuínas e o consumidor tenha suas necessidades e direitos devidamente respeitados.
Jussara Santos Ferri – Advogada e Presidente da Comissão da OAB Londrina


