Em sua segunda visita a Londrina na mesma semana, o governador Ratinho Junior (PSD) disse, nesta sexta-feira (27), que o anúncio de seu candidato ao governo do Estado nas eleições de 2026 deverá acontecer “nos próximos dias”. Mesmo após o PL anunciar a filiação do senador Sergio Moro, que se apresentou como pré-candidato à vaga no Palácio Iguaçu, o chefe do Executivo estadual afirmou que a maior preocupação, no momento, não é com o nome que terá o seu apoio na corrida eleitoral pelo governo do Paraná, mas com a montagem das chapas que, além dos candidatos a governador e vice-governador, será composta por postulantes às cadeiras na Assembleia Legislativa, na Câmara Federal e no Senado.

Ratinho Junior resiste a dar indicativos de quem será o candidato do PSD no Paraná. Desde o ano passado, vinham sendo aventados os nomes dos secretários das Cidades e de Infraestrutura e Logística, Guto Silva e Sandro Alex, respectivamente, e o do deputado estadual Alexandre Curi, todos eles, filiados ao mesmo partido do governador.

No cumprimento de suas agendas pelo Estado, Ratinho Junior vinha sendo acompanhado pelos dois secretários e pelo parlamentar. Nesta sexta-feira, não foi diferente. Durante o evento de lançamento da pedra fundamental do novo campus da empresa TCS (Tata Consultancy Services) em Londrina, Guto Silva e Alexandre Curi integravam a comitiva oficial e foram convidados a discursar.

Na quinta-feira (25), durante visita a Londrina para participar da inauguração do complexo industrial da J.Macêdo, ao ser perguntado por jornalistas sobre quem seria o seu candidato à sucessão, o governador desconversou. Nos bastidores, fala-se em uma mobilização para convencer o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), a entrar na disputa.

“Na verdade, no que estamos trabalhando agora é na montagem das chapas porque temos o prazo até dia 4 (de abril), que é o prazo das filiações, e também na montagem das chapas dos deputados estaduais e federais, o que dá um trabalho grande. E os secretários, aqueles que têm algum tipo de cargo, têm que se descompatibilizar até dia 4. Mas o anúncio (do candidato ao governo) não tem necessidade de ser até o dia 4 porque as convenções são em julho”, declarou Ratinho Junior.

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Questionado se a demora não favoreceria Moro, que até o momento lidera as pesquisas de intenção de votos ao governo do Paraná, Ratinho Junior negou. “Ele já é candidato há dois anos ou até mais. Ele já é uma realidade colocada. Nós teremos o nosso. No momento, a gente organiza esses nomes. No momento que nós definirmos isso, vamos apresentar à sociedade paranaense aquele que vai representar a continuidade desse bom momento que vive o Paraná.”

“Mais preocupado do que com o nome, eu tenho preocupação com o time que vai tocar o Estado. Esse é o meu olhar porque ninguém toca um estado do tamanho do Paraná, que é maior que Portugal, só com nome. Tem que tocar com um time com responsabilidade”, alfinetou Ratinho Junior.

Sobre a possível saída de Guto Silva da pasta de Cidades, vaga que, especula-se, passaria a ser ocupada pelo deputado federal Fernando Giacobo, Ratinho Junior afirmou que ainda não há nenhuma definição neste sentido. Giacobo, que era presidente do PL no Paraná, deixou o cargo e desfiliou-se do partido na terça-feira. A motivação foi a filiação de Moro ao partido, o que o deputado federal, antigo aliado de Ratinho Junior, teria interpretado como uma ruptura do acordo entre PL e PSD. “(O Giacobo) é uma pessoa de quem eu gosto muito e sempre esteve no nosso time, inclusive, apoiando minha candidatura desde o meu primeiro mandato”, relembrou o governador.

Após o deputado federal divulgar uma carta dirigida a "amigos prefeitos", informando sobre sua saída do PL, houve uma debandada do partido no Estado. Até esta sexta-feira, 48 dos 53 prefeitos paranaenses filiados à legenda haviam anunciado a desfiliação.

“Ainda vou fazer a análise de secretário, ver quem vai sair para algum tipo de cargo para deputado estadual, federal ou até mesmo para governo ou vice-governador, e daí, sim, a gente pode fazer toda uma organização desse time”, comentou Ratinho Junior, antecipando que muitos cargos de secretário provavelmente serão preenchidos pelo secretário executivo da pasta, “Já conhece, já está tocando os convênios, os projetos. Mas isso eu vou analisar na semana que vem.”

O governador, que há meses confirmava seu interesse em disputar a presidência da República nas eleições de outubro, desistiu de entrar na corrida no último final de semana e, na segunda-feira (23), comunicou a sua decisão ao presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. Na visita de quinta-feira a Londrina, a desistência foi reiterada por Ratinho Junior e, nesta sexta-feira, políticos presentes à cerimônia e colegas de legenda do governador, entre eles, o prefeito de Londrina, Tiago Amaral, e a deputada federal Luísa Canziani, lamentaram publicamente a decisão. “Estou te chamando de governador, mas eu queria mesmo era te chamar de presidente da República”, disse Amaral, ao final de sua fala.

PRESIDÊNCIA

Ao atender a imprensa quinta-feira na inauguração do complexo industrial da J.Macêdo, Ratinho Junior reiterou que não será candidato à Presidência da República. O governador disse que sua desistência ocorreu após uma conversa com a família e que quer “blindar” o Paraná “dos problemas de Brasília”.

“Me preocupa muito os arranjos, os acordos em Brasília que envolvem o Paraná. O meu espírito de proteger o Paraná e dar tranquilidade para o estado no sentido de ter uma sucessão, de poder o Paraná continuar em paz e unido, me fez reavaliar tudo isso e poder permanecer no governo”, afirmou. (Colaborou Douglas Kuspiosz)

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