Entidades de classe paranaenses estão preocupadas e tentam reverter a decisão da UE (União Europeia) que anunciou embargo a produtos brasileiros de origem animal a partir do próximo dia 3 de setembro. Representantes dos produtores do Estado veem a medida mais como uma questão administrativa e burocrática a ser resolvida, mas também acusam o mercado europeu de protecionismo. No Paraná, as exportações dos itens incluídos na lista somaram cerca de US$ 235 milhões em 2025, o que corresponde a 13% do total exportado pelo país ao bloco comercial.

A oficialização da exclusão do Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e outros produtos de origem animal aconteceu na última sexta-feira (5). O veto alcança as carnes bovina, equina, de aves e peixes, além de tripas e mel. A restrição, afirmou a UE, foi motivada por questões regulatórias e sanitárias. O bloco exige o controle rigoroso sobre o uso de antibióticos na criação de animais para evitar a resistência a microrganismos e proteger a saúde da população.

Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não apresentou as garantias documentais e as informações necessárias dentro dos prazos estipulados para comprovar o cumprimento dessas normas em todo o ciclo produtivo.

Por meio de nota oficial, a SRP (Sociedade Rural do Paraná) manifestou sua preocupação com as novas regras exigidas pela UE e fala em protecionismo ao produtor rural europeu, mas acredita que o embargo possa ser revertido. “A entidade entende que as medidas representam uma forma de protecionismo ao produtor rural europeu, elevando o tom de uma discussão que, originalmente, deveria ocorrer apenas no segundo semestre de 2026", afirmou. "Até lá (3 de setembro), será fundamental demonstrar, de forma clara e técnica, o trabalho que o setor produtivo brasileiro vem realizando, bem como os protocolos já adotados e cumpridos para atender às exigências do mercado europeu.”

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A avaliação da SRP vai de encontro à opinião de analistas que acreditam que o embargo tenha caráter não só técnico, mas também político. O acordo que permitiu a entrada de produtos brasileiros na UE foi costurado por décadas e exigiu muita diplomacia para enfrentar a resistência dos produtores europeus, sobretudo os franceses, que ficaram descontentes com o pacto firmado entre o Mercosul e a Comissão Europeia e que começou a valer, provisoriamente, no último dia 1º de maio. Para o segundo semestre, está programada uma missão da UE ao Brasil.

A SRP destacou a relevância estratégica das vendas de proteína animal à Europa, principalmente em razão do valor agregado de cerca de 59% acima de outros mercados internacionais. “Por isso, a Sociedade Rural do Paraná reforça a necessidade de atenção, dedicação e articulação institucional diante desse tema”, afirmou, acrescentando que acompanha os desdobramentos e atua em defesa dos produtores rurais, da competitividade do agronegócio brasileiro e da manutenção do acesso a mercados internacionais de alto valor agregado.

De acordo com dados da Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná), do total exportado pelo Estado em 2025, 11% tiveram como destino países da UE. As exportações paranaenses dos produtos incluídos na lista de restrições do bloco comercial totalizaram US$ 234,97 milhões no ano passado, sendo o maior volume correspondente às carnes, cujas vendas somaram US$ 234,48 milhões. O destaque foram as aves, que compuseram a maior parte, sendo US$ 224,53 milhões, ao todo.

As vendas de carnes bovinas somaram US$ 9,65 milhões no período; os pescados, US$ 59,03 mil; e os produtos apícolas, US$ 733,86 mil.

O presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette, avalia a decisão da UE como uma questão “burocrática e administrativa” motivada pelo não envio de documentação e pela falta de alinhamento entre o Brasil e os países do bloco e não por problemas na qualidade dos produtos. “Nós iremos trabalhar fortemente para que o governo brasileiro, através da nossa Frente Parlamentar da Agropecuária, da Confederação Nacional da Agricultura e de outras entidades que nos representam, mostre que o Estado e o país estão aptos a venderem as carnes para a Comunidade Europeia.”

Meneguette disse que os produtores rurais foram pegos de surpresa com o anúncio da suspensão das exportações e perder o mercado europeu significaria deixar de exportar para uma parcela importante do mercado. “Tentar abrir outro mercado para inserir essa produção em um período tão curto seria praticamente impossível. A abertura de mercados internacionais não se faz da noite para o dia.”

O presidente do Sistema Faep afirmou estar confiante na mobilização do governo brasileiro no sentido de derrubar o embargo. “Nós precisamos sanar as dúvidas com a União Europeia o quanto antes para assim poder reabrir esse mercado o mais breve possível e voltar a exportar os nossos produtos para lá.”

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