Preços variam bem abaixo da inflação
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sábado, 24 de novembro de 2018
Fábio Galiotto Reportagem Local 

Se neste ano os preços dos livros subiram acima da inflação, durante os últimos quatro anos a variação está muito abaixo do que as altas em aluguéis, papel ou mesmo nos salários. De acordo com a ferramenta Nielsen Bookscan, o título "O Código da Vinci" custava R$ 39,90 há quatro anos e, se aplicada a inflação do período, deveria girar em torno de R$ 80 hoje. Porém, o best-seller de Dan Brown tem preço médio de R$ 49,90.
Diante do cenário de crise, muitos editores apostam na criação, no País, do preço fixo do livro, nos moldes do que ocorre em boa parte de países europeus, como França e Alemanha, ainda no fim do governo Michel Temer. O texto redigido por um grupo de trabalho no Ministério da Cultura está na pasta da Casa Civil e editores articulam para que a norma seja implantada por medida provisória. A proposta estabelece que, durante um ano após o lançamento de um título, as livrarias podem dar descontos de no máximo 10% em cada obra. Depois disso, ficam livres para dar o desconto que quiserem, para conter a crise causada pela guerra de promoções e fortalecer as livrarias independentes.
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- Resistência da livraria de conforto
O diretor comercial do Grupo Livrarias Curitiba, Marcos Pedri, diz que as publicações hoje têm preço médio de R$ 35, o que também justifica o maior interesse na compra física. Contudo, ele cita o ainda pequeno mercado dentro das classes C e D como problema para dar escala às vendas. "Para a conta fechar, precisamos de mais incentivos ao consumo de livros, que escolas incentivem, porque o preço que temos é o que o consumidor aceita pagar."
Já o diretor da rede Livraria da Vila, Flavio Seibel, considera que esse debate precisa ser ampliado pelos elos da setor editorial. "Como está hoje, de o preço não acompanhar os aumentos de inflação ou de correção de aluguel, é um problema sério. As pessoas da cadeia precisam sentar, conversar e entender quais vão ser esses os desafios, ou o mercado não se sustentará no futuro."
DUAS REALIDADES
O estudante Gabriel Kubiça está entre os que defendem as lojas físicas para comprar livros. "Também prefiro o livro físico. Já tive problemas com compras pela internet e, geralmente, faço listas de títulos que quero ler e procuro promoções nas livrarias."
Já a maquiadora Vanessa Busko acredita que é sempre melhor pegar o livro na mão, frequenta livrarias até pelo interesse da filha, Lara Borges, mas prefere comprar na web. "Tudo acaba sendo mais barato pela internet. Às vezes a minha filha insiste em um livro, mas meu marido prefere pesquisar antes e consegue bons descontos em sites." (F.G./com Folhapress)


