Silvia Liberatore, da Livraria da Silvia, readequou o estoque de 12 mil títulos para um espaço colaborativo
Silvia Liberatore, da Livraria da Silvia, readequou o estoque de 12 mil títulos para um espaço colaborativo | Foto: Gustavo Carneiro




As livrarias vão resistir porque o lirismo da literatura transborda para o ambiente. Não é preciso perguntar a uma criança, que se aproxima de uma estante de publicações novas, se ela sente aquele cheiro, porque o nariz dela mexe, dá para ver. Na internet é mais barato, mas comprar pela sinopse da orelha do livro nem sempre garante satisfação. Aí é que se precisa do livro de conforto, do livreiro.

Aposentada como professora universitária e profissional de comunicação empresarial na capital paulista, Silvia Liberatore assim enxerga o mundo dos negócios editoriais. Ela escolheu Londrina para viver o restante da vida e há oito anos abriu a Livraria da Silvia, uma nova página na própria biografia, na região central. A loja crescia com eventos de leitura, debates no formato de "clube do livro", lançamentos de publicações de escritores regionais, no que parecia um romance com os clientes cativos. Veio a crise econômica nacional e começou o drama.

Dos 12 mil títulos que chegou a ter no endereço antigo, há dez meses passou a contar com pouco mais de 3 mil, em uma das salas do espaço colaborativo Juntus Coworking. "A motivação foi econômica, mesmo. O perfil dos clientes de lojas de rua mudou nesse período e não foi só o do meu", diz. "Se não fosse a crise, estaria expandindo. Mas as despesas dos clientes foram crescendo e, se cortaram alimentos e remédios, por que não cortariam livros?"

Se por um lado precisou recuar, por outro Liberatore diz que ganhou com o ambiente do Juntus. A troca de experiências entre as cerca de 60 iniciativas que dividem espaço permitiram o acesso a consumidores diferentes, famílias, jovens com interesse por cultura e a certeza de que um novo capítulo nessa história está a caminho. "Com essa coisa do fecha e não fecha das grandes lojas, a clientela vai voltar às pequenas. Sempre vão comprar pela internet os best-sellers, pelo preço, isso não é problema. Quando precisarem de um livro de conforto, aquele desconhecido, que é bom para ler em um feriado, bom para surpreender um amigo, vão precisar de um livreiro", afirma.

Quando abriu a Livraria da Silvia, que hoje funciona também para encomendas e tem uma lista invejável de títulos de escritores locais e regionais, ela afirma que outras lojas do tipo não a atendiam dessa maneira. Pelo boca-a-boca, carrega uma lista de clientes fiéis e procura para eles "aquele título esquecido, mas que é muito bom". "As pessoas ainda se ressentem dessa falta de contato", conta.

Para o futuro, aposta em bancas de revistas que vendem livros, cafés com livrarias, livrarias com brinquedos educativos. Por isso, vai se manter no mercado. "A vantagem é que conheci muita gente boa, porque quem gosta de livro é assim, gente boa", diz Liberatore.

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