Petrobras fecha indústria de fertilizantes em Araucária e demite mil funcionários

Quase 400 funcionários diretos e mais de 600 terceirizados devem ser dispensados em um prazo de até 90 dias

Simoni Saris - Grupo Folha
Simoni Saris - Grupo Folha

A Petrobras anunciou na manhã desta terça-feira (14) o fim das operações da ANSA (Araucária Nitrogenados S.A.), localizada no município de Araucária (Região Metropolitana de Curitiba), e o desligamento de mil funcionários, sendo 396 diretos e mais de 600 terceirizados. A petrolífera tentou vender a subsidiária, mas sem interessados na compra, decidiu encerrar as atividades alegando recorrentes prejuízos desde que a unidade foi adquirida, em 2013. Entidades representativas dos trabalhadores tentam reverter a decisão.


Petrobras fecha indústria de fertilizantes em Araucária e demite mil funcionários
 


A FUP (Federação Única dos Petroleiros) e o Sindiquímica-PR criticam a medida que, segundo eles, surpreendeu os trabalhadores. As entidades alegam que os desligamentos contrariam o acordo coletivo da categoria, que impede demissões em massa. “Descumpriram um acordo para discutir as demissões. Estamos ainda surpresos porque não é só a questão dos empregos, mas a questão nacional dos fertilizantes”, disse o diretor da FUP Gerson Castellano.



Em nota publicada em seu site, a estatal afirma que os resultados históricos da ANSA demonstram a falta de sustentabilidade do negócio. De janeiro a setembro de 2019, afirma a petrolífera, o prejuízo gerado pela unidade de Araucária somou quase R$ 250 milhões e a previsão para 2020 é de um resultado negativo acima dos R$ 400 milhões. Segundo a Petrobras, o custo do resíduo asfáltico utilizado como matéria-prima é mais alto do que os produtos finais.

A ANSA é uma subsidiária da Petrobras com autonomia estatutária e personalidade jurídica distinta, patrimônio e gestão próprios, e foi adquirida da Vale Fertilizantes S.A. em 2013. Atualmente, é a única fábrica de fertilizantes em atividade no País que opera com esse tipo de matéria-prima.

Segundo a Petrobras, o desligamento dos 396 empregados diretos da ANSA será escalonado, em 30, 60 e 90 dias. Cada funcionário receberá, além das verbas rescisórias legais, um pacote adicional cujos valores variam de R$ 50 mil a R$ 200 mil, proporcional à remuneração e ao tempo trabalhado. A estatal também garante a manutenção do plano médico e odontológico, benefício farmácia e auxílio educacional por até 24 meses, além de uma assessoria especializada em recolocação profissional. A petrolífera não informou como será o desligamento dos funcionários terceirizados.

A Petrobras lembrou ainda que a ANSA está em fase final de negociação de convênio para oferecer programas de capacitação e requalificação profissional para as comunidades que ficam no entorno da fábrica, no município de Araucária. Serão ofertadas mil vagas para moradores destas comunidades.

“O que acontece agora é uma dispensa em massa e o acordo coletivo veda. É uma demissão maquiada com plano de benefícios que querem nos pagar. A gente é totalmente contra e a entidade sindical repudia toda e qualquer demissão em massa e entende que a empresa tem outros artifícios para que os funcionários não sejam demitidos. São mais de três mil pessoas, contando as famílias, que trará um impacto incisivo na cidade de Araucária”, destacou o diretor do Sindiquímica-PR, Rodrigo Cesar Maia. “A cidade é pequena, mas em volume de arrecadação, é a segunda do Estado por causa das indústrias.”

A Prefeitura Municipal de Araucária, por meio de sua assessoria de imprensa, reconheceu o alto impacto econômico que a suspensão das atividades da ANSA representará para o município e disse que, no momento, acompanha o desdobramento do processo de encerramento das operações.


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