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Londrina

Economia

m de leitura Atualizado em 29/06/2022, 00:00

Pesquisadores do IDR-PR cobram candidatos sobre futuro da instituição

Carta aberta endereçada aos postulantes ao Palácio Iguaçu pede que tema seja debatido em campanha

PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 29 de junho de 2022

Simoni Saris - Grupo Folha
AUTOR autor do artigo

Foto: Anderson Coelho/Folha de Londrina/28/06/2017
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O Alerta Geada que ajuda os produtores rurais paranaenses a protegerem pastos e lavouras dos prejuízos causados pelo frio intenso, a instalação da agroindústria para processamento de suco de laranja nas regiões Norte e Noroeste do Estado e o registro da raça purunã, bovino genuinamente paranaense são apenas alguns dos feitos contabilizados pelo Iapar (Instituto Agronômico do Paraná), atual IDR-PR (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná), em 50 anos de existência, completados nesta quarta-feira.

Fundado em 29 de junho de 1972, o órgão de pesquisa e tecnologia teve um papel relevante no desenvolvimento agropecuário do Estado e se hoje o Paraná se destaca no agronegócio, muito se deve aos estudos iniciados em seus laboratórios que resultaram em novas técnicas e tecnologias aplicadas no campo.

Preocupados com o futuro da pesquisa agropecuária no Estado, pesquisadores ativos e aposentados do instituto elaboraram uma carta aberta endereçada aos candidatos ao governo estadual e pedem que o tema seja debatido durante a campanha eleitoral.

No documento, eles enumeram os inúmeros avanços que o então Iapar representou para a agricultura paranaense. Além da importante contribuição à economia, com expressiva participação no PIB e no superávit da balança comercial, os pesquisadores destacam a consolidação da agricultura familiar, que congrega 85% dos estabelecimentos rurais, nos quais a inclusão produtiva e a inovação tiveram um significativo impacto social. 

Em produção de feijão e trigo, o Paraná ocupa hoje o primeiro lugar no ranking nacional. Em soja e milho, é o segundo colocado no país, o segundo em leite e mandioca e lidera as cadeias de proteína animal. 

"Contudo, essa posição destacada demanda uma permanente incorporação de inovações pelos agricultores, que surgem a partir do desenvolvimento de novas técnicas e tecnologias", ressaltam os pesquisadores na carta aberta. Eles lembram ainda que ações de mitigação das mudanças climáticas, de preservação dos recursos naturais e de conservação da biodiversidade também demandam novas formas de produção agrícola e, nesse processo de transformação, a pesquisa tem um papel fundamental. 

No documento, os pesquisadores destacam que a continuidade do suporte estratégico ofertado pelo IDR-PR só será possível com uma contrapartida do governo estadual ao instituto, financiamento e investimento adequados. Como reforço aos seus argumentos, os autores do documento lembram que números do balanço social no Brasil indicam que para cada R$ 1 investido nas instituições de pesquisa agropecuária, há um retorno econômico de R$ 12 a R$ 16 à sociedade.

Os pesquisadores também falam em "desmonte" do órgão de pesquisa que, segundo eles, teria sido agravado pela falta de servidores nas diferentes áreas de conhecimento científico, comprometendo a entrega dos resultados. "Tal condição pode se agravar ainda mais caso seja aprovado o plano único de carreiras em trâmite administrativo no governo", alertaram.

"O Estado do Paraná está descuidando disso. O Ratinho, em 2018, falava de inovação, dava sinais de que compreendia a importância do agronegócio , de contar com um órgão de pesquisa, mas já no começo (do mandato, em 2019) sinalizou a fusão de várias instituições", criticou o pesquisador do IDR-PR, Tiago Pellini. Finalizando o mandato, disse o pesquisador, o chefe do Executivo estadual não repôs funcionários e ainda fez um PDV (Plano de Demissão Voluntária) que reduziu ainda mais o quadro de pessoal. 

"Estamos passando um momento de falta de foco no futuro, no longo prazo, sem planejamento estratégico nas questões fundamentais. A sociedade precisa do estratégico, do planejamento e a única forma de ter um desenvolvimento econômico, gerar empregos e cuidar do meio ambiente é com instituições de pesquisa", afirmou Pellini.

Para o pesquisador, o instituto está sem estratégia e se fechou para a participação da sociedade. "Não há uma governança, as mudanças não passaram pelo crivo do Conselho de Administração, que é a última instância deliberativa. Não se ouviu a sociedade, o corpo interno, não temos uma interlocução, um canal interno que dê vazão às preocupações", lamentou. Com a carta endereçada aos candidatos ao governo, a intenção é chamar a atenção para a importância das propostas para o agro e obter um compromisso sobre o que eles querem dessa atividade. "Não estamos celebrando os 50 anos. Do ponto de vista do rumo que o instituto tomou, não há nada a celebrar. É uma preocupação que estamos no caminho do desaparecimento."

Diretor-presidente do IDR-PR, Natalino Avance de Souza disse que a fusão do Iapar com o Centro Paranaense de Referência em Agroecologia. o Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural, a Emater e a Codapar (Companhia de Desenvolvimento Agropecuário), em 2019, foi o meio encontrado pelo governo estadual para criar um modelo em que a extensão e a pesquisa estejam dentro da mesma instituição, qualificando a entrega da produção de ciência e tecnologia aos agricultores.  

Leia mais: https://www.folhadelondrina.com.br/economia/deputados-prestam-homenagem-aos-50-anos-do-idriaparemater-3207517e.html

Souza reconhece que a pesquisa carece de investimento e modernização, mas essa necessidade não surgiu recentemente, assim como a necessidade de recomposição do quadro de pessoal, frisou ele. "A gente tem um quadro balizado com a pesquisa dos investimentos necessários para os próximos anos."

Segundo ele, esse quadro está sendo aprimorado e vai ser apresentado ao comitê científico e técnico de pesquisa, no próximo dia 13 de agosto, em uma reunião em Cascavel (Oeste) para tratar da modernização de equipamentos e instalações em todas as unidades do Estado. Investimento estimado entre R$ 20 milhões e R$ 30 milhões. 

Sobre a recomposição do quadro de funcionários, Souza disse que o IDR executou um plano de demissão voluntária no qual saíram 217 trabalhadores celetistas, o que resultou em uma economia de R$ 3,6 milhões ao mês e 85% desse valor será gasto em recomposição de pesquisadores, pessoal de ciência e tecnologia e extensionistas. "Não se contrata da noite para o dia. Tem a questão da responsabilidade fiscal. Estamos em um período de restrição eleitoral. Não consigo contratar ninguém nesse período", justificou. O diretor-presidente do IDR acredita que um concurso público será realizado em 2023 para contratação de cerca de 400 novos servidores.

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