Nova onda doce: londrinenses se entregam à paixão pelos bolos de feira
Fenômeno gastronômico na cidade amplia modos de negócios para a confeitaria; aposta em qualidade e experiência é a dica para sustentar crescimento
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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026
Fenômeno gastronômico na cidade amplia modos de negócios para a confeitaria; aposta em qualidade e experiência é a dica para sustentar crescimento

Na contramão da confeitaria industrializada e das tendências passageiras que nascem e morrem nas redes sociais, a confeiteira Luciane Vasconcellos Leal Serra, da Cakes Londrina, vive um momento de forte crescimento apostando em algo que parece simples, mas é raro: qualidade consistente, experiência real e estratégia.
Expondo atualmente na Parada do Limoeiro, na zona rural de Londrina, ela figura entre os nomes mais comentados pelos frequentadores de feiras e eventos gastronômicos da cidade. Seus bolos, visualmente impactantes e inspirados em tendências nacionais, têm despertado desejo antes mesmo da primeira garfada. Mas, segundo ela, a viralização não se sustenta apenas pela estética.
“É um pouco de tudo. Os bolos são muito bonitos, têm uma aparência convidativa que chama atenção. A pessoa compra pela imagem, mas volta pelo sabor. Quando prova, percebe que é feito com ingredientes selecionados e de qualidade. Isso gera uma boa experiência, recompra e indicação”, afirma.
Luciane conta que faz quatro semanas que começou a participar das feiras. No primeiro domingo no Limoeiro, levou apenas três bolos. No último já estava expondo dez bolos por feira e vendendo a preço promocional de R$ 20,00 a cada duas. E a produção e vendas estão em crescimento. "Meus colegas de feira estão super felizes por mim e por nós. O sucesso dos bolos está trazendo mais gente para a Parada do Limoeiro", celebra.

A receita do sucesso envolve três pilares: produto, experiência e marketing. Luciane reconhece que a divulgação é fundamental para ampliar o alcance. “O marketing faz muita diferença para que as pessoas conheçam, saibam onde nos encontrar.” A estratégia digital ajudou a transformar os chamados “bolos de feira” em fenômeno nacional e uma febre em Londrina, mas Luciane faz questão de contextualizar. “O boom dos bolos de feira que está viralizado no Brasil todo é típico das feiras noturnas de Goiânia. Lá isso existe há mais de 20 anos”, explica. A tradição nascida nas feiras noturnas da cidade ganhou as redes e se espalhou pelo país.
Diferentemente de modismos rápidos, como aconteceu com o “morango do amor”, Luciane acredita que os bolos têm espaço consolidado. “Nas feiras, principalmente nas noturnas, muitas vezes não há opção de sobremesa. E fala se não é uma delícia encontrar um bolo de ‘aniversário’ gostoso para comer ali, sem ser em um aniversário?”, questiona, rindo.

Leitura de mercado
Antes que uma tendência estoure, Luciane já está atenta. Ela combina pesquisa de mercado com sensibilidade. “Existe bastante pesquisa, mas também tem a intuição.” A experiência de mais de dez anos na confeitaria ajuda a antecipar sabores, formatos e comportamentos de consumo.
Desde a viralização, a operação mudou. A produção aumentou consideravelmente. “Levamos muito mais bolos para as feiras. Estamos sempre pensando em novos sabores para trazer novidades.” A equipe também deve crescer em breve, já que a demanda superou a estrutura inicial.
O desafio agora é escalar sem perder essência. “Estamos estudando estratégias de crescimento para atender mais clientes, não deixar os bolos acabarem tão cedo e permitir que mais pessoas tenham essa experiência.”

Qualidade como estratégia de longo prazo
Em um mercado competitivo como o da confeitaria, Luciane acredita que o diferencial real não está apenas na aparência ou na tendência do momento. “É a qualidade dos produtos, o sabor e a experiência que o cliente tem ao consumir um doce feito por mim.”
Ela destaca que nunca deixou de estudar e buscar aperfeiçoamento. “Trabalho com confeitaria há mais de dez anos. Sempre estudei, inovei. Acredito que também seja um dom. Faço com muito amor, e tudo flui com naturalidade.”
Essa postura também orienta suas decisões estratégicas. Mesmo diante da pressão por volume, ela não abre mão do padrão. “Não vou mudar minha qualidade para vender apenas em quantidade. Minha preferência é sempre entregar a melhor experiência.”

Pé no chão em meio à viralização
O crescimento rápido traz expectativas. O público passa a esperar “o próximo sucesso”. Luciane administra essa pressão com cautela. “Mantenho o pé no chão. Estudo o mercado, avalio tendências, mas levo sempre em consideração a opinião e o feedback dos clientes.”
Ela pesquisa sabores em alta, mas filtra pelo gosto do seu público. “Não fico em busca de produtos apenas porque viralizaram. Sou reconhecida pela qualidade dos meus bolos. Eles são bem molhadinhos, com recheios suaves, que não são enjoativos.”
Na Parada do Limoeiro, na zona rural de Londrina, o movimento confirma a estratégia. Clientes voltam, indicam, levam para casa e aprovam e os gritos de "Oba, vai ter bolo!" Podem ser ouvidos logo quando o carro estaciona.
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Patrícia Maria Alves
Editor e Gerente de Produtos Digitais


