Uma fila que ocupa uma quadra inteira tem chamado a atenção de todos que passam pela rua Piauí, na altura da Concha Acústica, em Londrina, todas as sextas-feiras. Desde que a confeiteira Thatiane Carvalho passou a vender seus bolos recheados e com calda na Feira Gastronômica da Concha, o cenário é este.

Confeiteira profissional há mais de 20 anos, a venda de bolos por meio de encomendas começou com o objetivo de incrementar a renda, pois a filha de confeiteira estuda balé em Berlim, na Alemanha e, para dar o suporte necessário para bancar a estadia da jovem, a culinarista tem dedicado todo o seu tempo para a confecção das massas e recheios. "Estou dormindo duas horas por noite", revela.

A produção exige dedicação intensa e, para tanto, ela conta que até o fim de semana é reservado para fazer os bolos. Com um investimento ainda não calculado para equipamentos, formas e a acessórios, Carvalho não sabe informar ao certo o valor já investido e nem a quantidade de bolo que produz e vende às sextas-feiras durante a Feira Gastronômica da Concha.

Imagem ilustrativa da imagem Com fila uma hora antes da abertura, bolo vira frisson em Londrina
| Foto: Celso Felizardo

Mas uma coisa é certa: tudo que produz e coloca no balcão da feira é vendido. As dezenas de formas, uma a uma é aberta e, conforme a preferência do cliente, uma fatia farta é cortada, embalada e a venda concretizada. De maneira repetitiva, Tathi corta, embala e o trabalho de venda que começa com o sol ainda brilhando na via termina assim que a noite se anuncia.

Em menos de duas horas, toda a produção de uma semana é levada para casa dos fregueses e também consumida ali, bem diante dos olhos da confeiteira. A verdade é que por conta da alta procura e a produção 100% artesanal, muitos clientes passam mais de uma hora na fila e acabam chupando o dedo e tendo que ir para casa sem provar o famoso bolo da Thati.

Doce negócio

Uma hora antes de a boleira chegar, a fila se forma. Terceira dos 20 primeiros ávidos pela degustação, Mayara Nascimento, moradora do Ouro Verde, região norte de Londrina, deslocou-se especialmente para a região central para confirmar o que está na boca do povo. "Eu soube pela publicação de um influenciador no instagram e não resisti", sorri. Na companhia da filha Ana Laura, de 12 anos e com o filho Murilo, de um ano dormindo em seu colo, Nascimento pretende provar dois sabores nesta primeira visita: "Kinder e red velvet", entrega. Disposta a aguardar com tranquilidade, a nova cliente acrescenta que preferiu chegar com antecedência para garantir. "Não quero correr o risco de ficar sem, não", diz.

Imagem ilustrativa da imagem Com fila uma hora antes da abertura, bolo vira frisson em Londrina
| Foto: Celso Felizardo

Embora exausta com a dupla jornada, a confeiteira que também trabalha formalmente para uma empresa, confessa que está feliz com o sucesso de vendas. Focada e com um único produto - no caso, a empreendedora só vende bolos, mas de vários sabores para atrair mais paladares - ela atribui o prestígio do consumidor à qualidade do produto que, praticamente na base do popular boca a boca, tem contribuído para que seu produto seja conhecido por mais pessoas e também reconhecido pelos diferenciais. Como ela gosta de reproduzir: "Bolos cremosos e recheios irresistíveis". E no final das contas, o propósito tem sido alcançado, que é apoiar a filha nos estudos na Alemanha.

"A produção começa no domingo quando começo a assar e preparar as massas". Nos dias seguintes, é a vez das caldas, desejos de consumo dos fãs de sobremesas. Calda de nutela, de frutas vermelhas nutela e caramelo. Adicionadas bem aos olhos do consumidor e de modo generoso, já conquistam de cara - e enem precisa implorar o "chorinho". Nos bastidores, a confeiteira ainda relata que precisou buscar fornecedores de todos os ingredientes que compõem as receitas de seus bolos para manter a qualidade em dia.

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