Valores para automóveis passam a ser de R$ 22 em Jataizinho e R$ 18,90 em Sertaneja
Valores para automóveis passam a ser de R$ 22 em Jataizinho e R$ 18,90 em Sertaneja | Foto: Aline Machado Parodi



Os valores das tarifas das praças de pedágio de Jataizinho (Região Metropolitana de Londrina) e Sertaneja (Norte) foram reajustados a 0h deste sábado (2).

Os preços retornaram aos patamares de 1º de dezembro de 2018, após o presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça) João Otávio de Noronha, suspender, na quinta-feira (28), os efeitos da liminar que reduziu em 26,75% os valores das cancelas nas duas praças.

Com isso, os valores para automóveis passam a ser de R$ 22 em Jataizinho e R$ 18,90 em Sertaneja. O aumento não agradou os motoristas que passaram por Jataizinho nesta manhã de sábado. A FOLHA registrou motoristas passando pelas cancelas sem pagar.



Uma família de Ibaiti, que preferiu não se identificada, contou que foi surpreendida pelo reajuste. "Passamos aqui na segunda-feira (25) e estava um valor. Fui pego de surpresa", afirmou o motorista.

Ele disse que passa pelo pedágio de Jataizinho pelo menos duas vezes por mês. "Esse aumento vai me custar um tanque de combustível", reclamou.

A motorista Mari Juliana Maiumi Patanabe, 42, estava vindo de Wenceslau Braz (Norte Pioneiro) para Londrina e também reclamou o preço da tarifa. "Eu quase não uso esse pedágio, mas só de pagar uma vez já fico triste. O valor é um absurdo. Já viajei para São Paulo, Uruguai, Santa Catarina e esse de Londrina (Jataizinho) é o mais caro", afirmou Patanabe.

Na opinião da gerente administrativa Roseli Dell Col dos Anjos, 50, os valores poderiam ser menores. "A gente não usa muito, mas poderia ser mais acessível." Ela viajava de Cambará para Londrina.

DECISÃO REVERTIDA

A mesma decisão do STJ que suspendeu a redução dos valores do pedágio em Jataizinho e Sertaneja, também liberava a cobrança na praça de Jacarezinho, próximo da divisa com São Paulo. Mas no começo da noite de sexta-feira(1) a 1ª Vara Federal de Jacarezinho reverteu a decisão o presidente do STJ, José Otávio de Noronha, e proibiu a Triunfo Econorte de retomar a cobrança em Jacarezinho.

A justificativa é que a decisão no STJ fora baseada em uma liminar, mas que a concessionária não informou no recurso que já existia uma ação popular transitada em julgado, que impede a cobrança.

A concessionária "deve retomar provisoriamente a assistência completa de socorro médico e mecânico entre outras providências urgentes, nos segmentos da BR-153 (51,6 km) e PR-090) (14,3 km)", até que o trecho seja devolvido à União com o fim do contrato em 2021, conforme a decisão do juiz federal Rogério Cangussu Dantas Cachichi, da 1ª Vara Federal de Jacarezinho, que atendeu contestação do MPF (Ministério Público Federal).

A assessoria da Econorte informou que não há o que comentar.

IMBRÓGLIO

Desde novembro do ano passado, a Econorte trava uma luta na Justiça Federal para manter a praça de pedágio e os valores de tarifas definidos em dezembro do ano passado. A disputa envolve também todos os aditivos de contrato feitos desde a assinatura da concessão, em 1997, que permitiram a instalação da praça de cobrança em Jacarezinho, ampliaram a tarifa, retiraram as obrigações da empresa sobre a construção do Contorno Norte de Londrina e reduziram as obrigações de duplicações.

A Econorte também se vê envolvida nas fases 1 e 2 da Operação Integração, deflagrada pela força-tarefa da Lava Jato. As investigações do MPF indicam que as concessionárias e políticos do governo estadual engendraram um esquema de corrupção em que as empresas pagavam propina em troca de aditivos que retiravam obrigações e aplicavam degraus tarifários sobre os valores cobrados.

O MPF calcula que os desvios levaram a um desvio que ultrapassa R$ 8 bilhões.

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