Manutenção de juros altos preocupa setor produtivo
Copom se reúne nesta semana e mercado prevê continuidade da Selic em 15%; medida pode elevar endividamento e reduzir consumo
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segunda-feira, 15 de setembro de 2025
Copom se reúne nesta semana e mercado prevê continuidade da Selic em 15%; medida pode elevar endividamento e reduzir consumo

O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central volta a se reunir nesta semana para definir a taxa básica de juros, mas a projeção do mercado é que a Selic deve continuar em 15% ao ano, nível alcançado em junho. Se confirmadas as expectativas, será a segunda reunião consecutiva a manter os juros nesse patamar, o que preocupa empresários de diversos setores da economia.
Uma ameaça trazida pela Selic a um nível tão alto é o endividamento e a inadimplência das famílias brasileiras, com impacto direto no consumo.
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Dados da PEIC (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), apontam que no Brasil cresceu o número de famílias inadimplentes e endividadas no mês passado. A proporção de consumidores com contas em atraso aumentou de 30,0% em julho para 30,4% em agosto, o maior nível de inadimplência da série histórica do estudo, iniciado em janeiro de 2010.
Na comparação com agosto do ano passado, o índice também subiu. Há um ano, 28,8% das famílias brasileiras não estavam em dia com o pagamento de seus boletos.
“Esse cenário preocupa tanto pela capacidade de quitação das dívidas quanto pelas condições de consumo das famílias, uma vez que, ao terem parte da renda comprometida, precisam reduzir seus gastos para honrar suas obrigações e, assim, evitar mais atrasos e o pagamento de juros”, avaliou o professor de economia da Faculdade Anhanguera, Elcio Cordeiro da Silva.
No Paraná, apesar de o número de famílias endividadas ter ficado estável em agosto de 2025 e de ter recuado na comparação com o mesmo mês do ano passado, o índice de 85,7% ainda é muito alto. O levantamento feito pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) em parceria com a Fecomércio PR (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná) coloca o Estado na 11ª posição no ranking nacional de endividados. Minas Gerais lidera a lista.
O mesmo levantamento mostrou melhora no percentual de inadimplentes. Em agosto de 2025, 12,4% das famílias brasileiras não conseguiam pagar as contas em dia, contra 15% em agosto de 2024.
Além de reduzir a capacidade de consumo, o endividamento, associado à alta de preços, especialmente dos alimentos, pode fazer com que as famílias decidam adiar a compra de bens e produtos.
O diretor Institucional da Faciap (Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado do Paraná), Hilgo Gonçalves, destacou que os níveis elevados das taxas de juros atuais impactam diretamente a renda do consumidor e afetam o desempenho das empresas, especialmente as de pequeno porte. “Eles estão sofrendo muito. Nós estamos, neste momento, tendo um dos maiores índices de inadimplência da história, tanto para o consumidor quanto para o pequeno empresário”, disse Gonçalves.
Diante desse quadro, a Faciap espera ansiosa a queda da taxa de juros, mas entende que essa é uma decisão que depende de vários aspectos econômicos favoráveis, como a inflação sob controle. A alta dos juros é um instrumento eficaz para frear o aumento dos preços, mas tem como efeito colateral a desaceleração do consumo.
A federação acredita que haja uma redução da Selic até o final deste ano, mas que essa diminuição só aconteça na reunião do Copom de novembro ou dezembro. “Dependemos da queda da inflação”, afirmou o diretor. “Apesar de a inflação estar acima do centro da meta, ela está cedendo um pouco. Nesse momento, está em 5,13%, mas se essa tendência for de queda na inflação de 12 meses, é muito provável que o Copom também faça um ajuste na taxa, tendendo a ter uma ligeira queda até dezembro.”
Efeitos no campo
Para o setor, afirmou ele, o aumento dos juros básicos encarece o crédito, aumentando os custos dos financiamentos de insumos, maquinários e a expansão das lavouras. Os resultados dessa alta podem ser a diminuição dos investimentos, a redução da rentabilidade dos pequenos e médios produtores e a pressão sobre o fluxo de caixa das empresas do setor.
Os juros altos, apontou El-Kadre, também tendem a valorizar a moeda local, impactando negativamente as exportações, e podem contribuir para a atração de investimentos em aplicações financeiras, tornando o capital mais caro e desestimulando os investimentos a longo prazo.
Por outro lado, disse o presidente da SRP, a Selic em um nível elevado pode reduzir a pressão inflacionária sobre os custos internos e beneficiar os produtores com boa gestão financeira e foco nas exportações. “Esses produtores podem se beneficiar da estabilidade econômica proporcionada pelo aumento da Selic, aproveitando oportunidades de mercado e mantendo a competitividade internacional.”


Simoni Saris
Repórter com atuação nas áreas de Economia, Infraestrutura e Agronegócio.




