Maioria dos paranaenses vai usar 13º para poupar e pagar dívidas
Pesquisa da Fecomércio PR aponta que começar o ano sem dívidas é prioridade; compra de presentes com a bonificação aparece em quinto lugar
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 25 de novembro de 2025
Pesquisa da Fecomércio PR aponta que começar o ano sem dívidas é prioridade; compra de presentes com a bonificação aparece em quinto lugar

A maioria dos trabalhadores paranaenses que têm direito ao recebimento do 13º salário não planeja utilizar a bonificação para comprar presentes de Natal. A prioridade serão os investimentos, pagamentos de dívidas, viagens e quitação de impostos e taxas. É o que aponta uma sondagem realizada pela Fecomércio PR (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná) em parceria com o Sebrae/PR, divulgada nesta semana.
O levantamento demonstra que 40,6% dos trabalhadores entrevistados estão cautelosos em relação ao futuro e pretendem utilizar o 13º salário para fazer uma reserva ou investimento financeiro. Outros 27,3% planejam pagar dívidas, 19,2% deverão usar o dinheiro extra em viagens e turismo e 15,7% irão destinar os recursos ao pagamento de impostos e taxas. A compra de presentes aparece apenas em quinto lugar, com 14,0%.
Além de estarem mais conscientes com os gastos, os números da sondagem também indicam que os paranaenses querem iniciar o ano sem dívidas e, se possível, com alguma reserva para emergências. “Conforme os dados da confederação, há no Estado um alto nível de endividamento, no sentido de fazer compras parceladas, mas no ranking nacional, os paranaenses estão na penúltima colocação em inadimplência”, ressaltou o coordenador de Desenvolvimento Empresarial da Fecomércio PR, Rodrigo Schmidt. “Demonstra planejamento e consciência da situação financeira.”
Acompanhe as notícias de Londrina e região no canal da Folha de Londrina no WhatsApp
De acordo com a Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), realizada pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) e pela Fecomércio PR e divulgada no início deste mês, 85,4% das famílias do Estado declararam possuir algum tipo de dívida no mês. No entanto, a inadimplência, que considera as famílias com contas em atraso, foi de 12,2% em outubro, indicando estabilidade em relação a setembro (12,1%), e colocando o Estado na penúltima posição no ranking nacional, cuja média é de 30,5%.
Se em um primeiro momento a decisão de deixar a compra dos presentes para depois das obrigações financeiras pode desanimar o varejo, a longo prazo essa conduta do consumidor paranaense pode ser bastante benéfica ao comércio, uma vez que uma população sem dívidas tem maior poder de compra. “Nos pagamentos não feitos à vista, nas compras com cartão de crédito, o atraso implica taxas muito consideráveis. Uma pessoa que compraria um produto ou serviço, se estiver com a conta do cartão em atraso, perde o poder de compra. É importante que haja um consumo dentro da condição de cada um”, disse Schmidt.
A formação de uma reserva financeira, avaliou o coordenador, evita o comprometimento dos outros meses do ano com o pagamento de dívidas e taxas.
Leia mais:
O estudo apontou ainda que as prioridades nos gastos do 13º salário em 2025 mantiveram-se as mesmas do ano anterior. Em 2024, a sondagem também indicava que a reserva financeira e os investimentos, o pagamento de dívidas, as viagens e o pagamento de impostos e taxas seriam priorizados em detrimento da compra de presentes, na mesma ordem de importância revelada pela pesquisa mais recente. Neste ano, porém, aumentou a parcela da população que pretende poupar ou sair do cadastro de inadimplentes.
Em 2024, a reserva e os investimentos foram citados por 39,4% dos paranaenses, 26,8% disseram que pagariam dívidas com o salário extra e 17,7% planejavam viajar. Já o percentual de pessoas que comprariam presentes caiu de 14,2% para 14,0% do ano passado para este ano.
A sondagem da Fecomércio PR também apresenta os dados regionalizados. Na Região Norte, a lista de intenção de gastos segue a mesma ordem, porém com índices mais baixos do que no Paraná como um todo. Entre os que irão poupar, estão 30,4% dos entrevistados. Mesmo percentual dos que irão pagar as dívidas. Outros 20,7% vão usar a bonificação de final de ano para viajar, 18,5% no pagamento de impostos e taxas e as compras de presentes foram mencionadas por 13,0%.
O percentual dos entrevistados na Região Norte que revelaram a intenção de comprar presentes com o salário extra só ficou acima da Região Sul, com 12,9%.
“É importante ter uma reserva financeira e, na medida do possível, fazer o dinheiro render para equacionar a vida cotidiana. Isso repercute na economia mais para frente e aumenta o poder de consumo”, orientou Schmidt.
Professor de economia da Faculdade Anhanguera, Elcio Cordeiro da Silva orienta os trabalhadores que ainda não decidiram onde aplicar o 13º salário a analisarem a própria situação financeira antes de sair gastando. “Dívidas com cartão de crédito e financiamentos, que em geral têm juros mais altos, devem ser priorizadas, pois ao serem quitadas dão um fôlego para começar o ano de 2026.”
Outra possibilidade é reservar o valor da bonificação para o pagamento das contas que chegam em janeiro, como IPVA e IPTU, matrícula e material escolar.
“Após o cumprimento das prioridades e, se sobrar algum recurso, a dica é investir. Entre as opções seguras de investimentos temos o CDB de liquidez diária de bancos consolidados que pagam acima de 100% do CDI. Esse tipo de aplicação tem a garantia do Fundo Garantidor de Crédito. O FGC garante até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, com um limite de R$ 1 milhão a cada quatro anos, por investidor”, orientou o economista.
Outra opção de investimento é o Tesouro Selic, emitido e garantido pelo Tesouro Nacional e com rendimentos de acordo com a taxa básica de juros, a Selic, que hoje está em 15% ao ano.
Para quem busca uma forma mais prática e fácil de poupar, Silva indica os “cofrinhos” ou “caixinhas” das contas digitais. Em muitos casos, disse ele, os rendimentos chegam a pelo menos 100% do CDI. A orientação é optar por aplicações que permitam o resgate a qualquer momento.


Simoni Saris
Repórter com atuação nas áreas de Economia, Infraestrutura e Agronegócio.





