Diferente do que acontece quando a Petrobras anuncia alta no preço dos combustíveis, cujos reajustes aparecem nas bombas já no dia seguinte, a redução de quase 5% na gasolina aplicada pela estatal a partir do último dia 21 de outubro ainda não chegou ao consumidor final. Em reais, o desconto deveria ser de R$ 0,14, mas um mês depois, o que se observa é que os preços até baixaram, mas em um percentual muito menor do que o esperado.

O levantamento semanal dos preços dos combustíveis divulgado pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), órgão regulador, aponta que, em Londrina, o litro da gasolina comum custava, em média, R$ 6,11 antes da redução divulgada pela Petrobras. No levantamento mais recente, publicado na semana passada, o preço médio do produto era R$ 6,10 - queda de apenas 0,16%.

Nos dois levantamentos, antes e depois da redução, segundo os dados mais atualizados, o mesmo foi observado nos preços da gasolina aditivada e do etanol. A gasolina aditivada baixou de uma média de R$ 6,39 para R$ 6,36 nos postos da cidade, variação de 0,46%, e o etanol caiu de R$ 4,16 o litro, em média, para R$ 4,15, recuo de 0,24%.

Se o desconto de 4,9% anunciado pela Petrobras tivesse sido integralmente repassado ao consumidor final, o preço da gasolina comum em Londrina deveria custar hoje, R$ 5,82, um desconto de R$ 0,29 sobre o preço praticado antes da baixa.

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No Paraná, aconteceu o mesmo. Os preços médios do litro da gasolina comum e da gasolina aditivada registraram queda de apenas R$ 0,01 desde o dia 21 de outubro, baixando de R$ 6,48 para R$ 6,47 e de R$ 6,62 para R$ 6,61, respectivamente. O preço do etanol não mudou e se manteve em R$ 4,42, em média, segundo apurou a ANP.

A agência reguladora afirma não ter participação na formação dos preços dos combustíveis. A ANP também não fiscaliza nem comenta variações de preços.

“Os preços dos combustíveis são livres no Brasil, por lei, desde 2002. Não há preços máximos, mínimos, tabelamento, nem necessidade de autorização da ANP, nem de nenhum órgão público para que os preços sejam reajustados ao consumidor”, esclareceu a agência, em nota encaminhada pela sua assessoria de imprensa.

A Paranapetro, entidade que representa o comércio varejista de combustíveis no Paraná, responsabiliza as distribuidoras pela queda nos preços dos combustíveis muito aquém do estabelecido pela Petrobras. “Além de não terem repassado a baixa da Petrobras na íntegra aos postos, as distribuidoras de combustíveis repassaram altas na gasolina, alegando elevação do etanol nas usinas de cana”, afirmou, em nota enviada pela assessoria de comunicação.

Toda a gasolina comercializada no Brasil, reforçou a Paranapetro, tem 30% de etanol na sua composição e, por isso, o etanol tem forte influência no preço final da gasolina. O sindicato lembrou ainda que os postos não podem comprar diretamente das refinarias e, dessa forma, dependem dos repasses das distribuidoras.


Levantamento

Uma pesquisa realizada pelo Procon em Londrina, no último dia 3 de novembro, mostrou que os preços nos postos do município permaneceram estáveis, situação confirmada dias depois em um relatório emitido pela ANP. A agência identificou que o desconto não havia sido aplicado integralmente em todo o país.

“Embora o desconto de cerca de R$ 0,14 por litro incida apenas sobre a gasolina tipo A, que ainda é misturada ao etanol e acrescida de custos como logística, frete e tributos, o resultado prático foi um repasse praticamente nulo”, disse o coordenador do Procon em Londrina, Bruno Lopes.

Sem indícios de irregularidade direta por parte dos postos, afirmou o coordenador, o Procon fica sem embasamento para aplicar punições. Nesta quarta-feira (26), o órgão de defesa do consumidor fará nova pesquisa e promete notificar e autuar estabelecimentos caso sejam identificadas discrepâncias injustificadas. Lopes orientou ainda que consumidores comuniquem aumentos fora do padrão.

Procurado pela reportagem, o IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis) ressaltou em nota que "a formação de preços dos combustíveis na cadeia de distribuição nacional é livre, seguindo a dinâmica de oferta e demanda. E cada empresa elabora sua política comercial de acordo com a dinâmica dos mercados em que atua", traz a nota, que ressalta ainda que o IBP não tem acesso às estratégias comerciais das empresas de distribuição de combustíveis.

A queda no preço da gasolina anunciada pela Petrobras em outubro foi a segunda baixa promovida pela estatal neste ano. No início de junho, a petrolífera havia reduzido em 5,6%. Nesse primeiro corte de 2025, o desconto também não foi repassado integralmente aos consumidores, mas o percentual foi um pouco maior do que após a redução de outubro.

Em Londrina, o desconto na gasolina aditivada chegou a 2,48%, o etanol caiu 2,40% e o maior recuo na gasolina comum foi de 1,94% nas semanas seguintes ao desconto.

Com as duas baixas, a queda acumulada neste ano é de R$ 0,31 por litro, o que corresponde a 10,3%. Mas esse percentual não foi repassado aos clientes dos postos dos combustíveis.

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