Londrina Paraná Day é vitrine global para investimento e inovação
Evento que abriu a programação técnica da 64ª ExpoLondrina aproxima município de mercados estrangeiros
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sexta-feira, 10 de abril de 2026
Evento que abriu a programação técnica da 64ª ExpoLondrina aproxima município de mercados estrangeiros

O desenvolvimento e fortalecimento de vários setores econômicos de Londrina, como agronegócio, tecnologia, saúde e educação, despertam o interesse de outras nações que olham para o município como uma boa oportunidade de parceria e negócio. A 64ª ExpoLondrina, iniciada nesta sexta-feira (10), teve na abertura de sua programação técnica a quarta edição do Londrina Paraná Day. Mais do que prospectar e fechar novos acordos comerciais, o evento funciona como um hub de conexão, aproximando o que a cidade tem a oferecer em infraestrutura e recursos humanos das necessidades de empresas estrangeiras, com o objetivo de estabelecer alianças que sejam benéficas para as duas partes. Neste ano, o evento recebeu representantes de mais de dez consulados e embaixadas, entre eles, Alemanha, Angola, Estados Unidos e Japão.
Ao alinhar as oportunidades de investimentos ao planejamento estratégico do município, a cidade direciona o seu desenvolvimento econômico e social com base nas suas vocações. “A gente não quer atrair qualquer indústria para a cidade. A gente quer buscar, de forma proativa, indústrias de base tecnológica que tenham conexão com o nosso masterplan, com o nosso planejamento estratégico do ecossistema de inovação”, destacou o presidente da Codel (Instituto de Desenvolvimento de Londrina), Fabrício Bianchi. Assim, o que se espera como resultado é uma maior geração de emprego e renda, aumentando a competitividade do município.
Bianchi lembrou que, muitas vezes, quando se fala em atração de empresas, o primeiro ponto a ser discutido nas prefeituras são os incentivos fiscais. Ele considera essa uma medida válida e importante, mas não deve ser a principal e defende ajustar o foco no potencial do município, que no caso de Londrina passa pela segurança, educação, infraestrutura de saúde, capacitação e qualificação de profissionais, tecnologia e inovação.
O presidente da Codel utiliza um termo em inglês para explicar a forma como Londrina pretende ampliar os seus mercados. O soft landing implica expansão de forma controlada, aproveitando o conhecimento e a experiência de seus parceiros comerciais. “Faz parte da nossa estratégia de soft landing como a gente faz com que essas empresas, esses países, no caso aqui com essa interação institucional, mapeiem dentro da realidade deles iniciativas que tenham convergência com o que a gente está buscando aqui e a gente pode fazer essa integração.”
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'Londrina chama atenção no Japão'
O Paraná tem a segunda maior colônia japonesa no Brasil, atrás apenas para São Paulo, e em razão desse grande contingente de descendentes, o Estado é uma região de grande interesse do governo japonês. O cônsul-geral adjunto do Japão em Curitiba, Rei Oiwa, lembrou que na capital há uma concentração de empresas automotivas e em Londrina as oportunidades estão no setor do agronegócio.
“Londrina está chamando cada vez mais atenção no Japão por causa dessa influência do agronegócio. Eu queria trazer as empresas japonesas de inteligência, agronegócio e agrotech para Londrina”, afirmou Oiwa.
EUA querem mais parcerias
A diplomata responsável pela seção de cultura e educação do Consulado Geral dos EUA em São Paulo e responsável também pelo Paraná, RaeJean Spears participou pela primeira vez do Londrina Paraná Day e disse estar empolgada com a oportunidade de fortalecer os laços entre os Estados Unidos e o Brasil, principalmente no agronegócio e agrotech. “Os EUA já são um grande investidor no Brasil e só queremos crescer. Queremos mais parcerias, mais empresas brasileiras investindo nos EUA”, comentou.

Na sede do consulado, em São Paulo, há um escritório do comércio cujo foco é promover oportunidades especialmente às empresas brasileiras. O escritório ajuda os empresários do Brasil a entenderem o caminho que têm de percorrer para começar a investir no mercado norte-americano ou a trabalhar em parceria com empresas dos EUA.
“Temos um programa, Select USA, que acontece a cada ano, um programa global, em maio, e eu posso falar que algumas empresas do Paraná estão indo para os EUA para fazer isso, entender melhor os passos técnicos para fortalecer essas oportunidades”, comentou Spears.

Participação de cidade angolana
Com 585 mil habitantes, o município de Cabinda, no Norte da Angola, é rico em petróleo, pesca, comércio e agricultura, mas tem problemas de saneamento básico, construções ordenadas e conectividade. O administrador municipal, Luís Avelino Yebo, que esteve presente no Londrina Paraná Day, disse que a intenção ao participar do evento é trocar experiências e atrair pessoas que tenham conhecimento nas áreas identificadas como gargalos ao desenvolvimento de Cabinda.
“É um processo que decorre de três anos atrás, buscando parcerias institucionais para fortalecer as potencialidades que cada realidade tem e também identificarmos as várias formas de interação, atraindo investidores para o nosso município.”
O prefeito de Londrina, Tiago Amaral, destacou a importância do evento para colocar a imagem da cidade em destaque internacionalmente. “Tem duas formas de nós captarmos recursos. Ou faz isso com investimentos da própria cidade ou faz isso com investimento de fora. Os dois são bons, mas quando a gente traz investimentos de fora, significa dinheiro novo na cidade”, comparou. “Então, quando a gente soma isso com investimentos e recursos que estão acontecendo já na própria cidade de Londrina, fruto do nosso trabalho aqui, a gente transforma a capacidade de geração de oportunidades para as pessoas, a gente faz Londrina acelerar.”
Fundo estratégico soberano
O Londrina Paraná Day é a derivação local do Paraná Day, promovido pela Invest Paraná, a agência de promoção de investimentos do governo do Estado, responsável por fazer a ponte entre governo e iniciativa privada, atuando na atração de investimentos. O presidente da agência, Eduardo Bekin, ressaltou que os incentivos fiscais, como IPTU, ISS e ICMS, costumam ser a porta de entrar para novas empresas e a Invest Paraná oferece apoio nesse sentido, mas o Estado também apoia nas questões de licenciamento, energia e saneamento, além do conhecimento produzido nas universidades.
Atualmente, o governo estadual trabalha na criação de um fundo estratégico soberano por meio do qual será possível subsidiar as grandes empresas e as grandes iniciativas. “Vai começar a existir esse recurso para subsidiar, seja emprestando ou até mesmo em equity (referente ao patrimônio líquido)”, explicou Bekin.


Simoni Saris
Repórter com atuação nas áreas de Economia, Infraestrutura e Agronegócio.




