Os indicadores do Serviço de Proteção ao Crédito da Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina) apontam queda de 33,6% nas negativações em março, na comparação com o mesmo mês de 2025. No acumulado do primeiro trimestre, a inadimplência recua 35%, sinalizando diminuição no fluxo de entrada de consumidores no cadastro restritivo.

No mesmo período, o número de consumidores que conseguiram sair da inadimplência cresceu 46% em março, em relação ao ano passado. Já no acumulado dos três primeiros meses de 2026, há redução de 21% entre os positivados, indicando que o processo de regularização ainda é irregular ao longo do trimestre.

As consultas ao SPC, indicador que reflete a busca por crédito e a intenção de compras financiadas, aumentaram 11,3% em março frente a 2025, no primeiro resultado positivo do ano. No acumulado do trimestre, a alta é de 0,41%, ainda moderada, mas em campo positivo.

Para o consultor econômico da Acil, Marcos Rambalducci, os dados apontam mudança no comportamento recente. “Os indicadores do SPC/ACIL mostram mudança parcial no padrão dos meses anteriores. As novas negativações seguem em queda, enquanto avançam as regularizações e as consultas ao crédito, sugerindo melhora gradual do ambiente financeiro das famílias e do varejo”, afirma.

Segundo ele, há sinais de transição no cenário. “Os resultados de março apontam para um cenário de transição. De um lado, segue diminuindo o ingresso de consumidores na inadimplência; de outro, observa-se melhora pontual e relevante na regularização de pendências e na movimentação do crédito no comércio”, analisa.

O desempenho está associado ao mercado de trabalho local, que vem registrando sequência de saldos positivos na geração de empregos formais, fator que amplia a renda e contribui para a reorganização financeira das famílias.

ExpoLondrina

A melhora dos indicadores ocorre na semana de abertura da ExpoLondrina 2026, principal evento do calendário econômico da cidade, que começa nesta sexta-feira (10) e segue até o dia 19. O período concentra aumento relevante na circulação de pessoas e na demanda por bens e serviços.

Historicamente, os efeitos da feira se espalham por diferentes setores. O comércio de vestuário tende a registrar maior procura, impulsionado pela preparação do público para os dias de evento. Segmentos de serviços, como beleza, alimentação e transporte, ampliam o volume de atendimentos, enquanto a rede hoteleira opera com níveis elevados de ocupação.

Nesse ambiente, a disponibilidade de crédito exerce papel direto sobre o consumo. A redução das negativações amplia o contingente de consumidores aptos a realizar compras financiadas, enquanto o avanço das consultas ao SPC indica maior disposição do varejo em conceder crédito e maior intenção de compra por parte das famílias.

Os números de março mostram uma combinação de fatores, como menor pressão de entrada na inadimplência, avanço pontual nas regularizações e retomada das consultas. O comportamento ainda é heterogêneo no acumulado do ano, mas com sinais de recomposição gradual da capacidade de pagamento e de reativação do crédito no comércio local.

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