Lavar e secar roupas sem ter uma máquina em casa vem se tornando uma alternativa cada vez mais presente na rotina dos consumidores. As lavanderias de autosserviço ganharam espaço nos últimos anos e também atraem investidores em Londrina. No país, o número de operações franqueadas do segmento passou de 2.201 em 2023 para 3.063 no primeiro semestre de 2026, crescimento de 39,2%.

Em Londrina, nove marcas associadas à ABF (Associação Brasileira de Franchising) atuam no setor, com 24 unidades. O número considera as redes associadas à entidade e não necessariamente representa todas as lavanderias existentes na cidade.

Segundo Leonardo dos Anjos, diretor regional da ABF no Sul, existem 38 marcas de lavanderias no mercado de franquias brasileiro, das quais 14 são associadas à entidade. Em 2024, eram 2.635 operações, alta de 19,7% em relação ao ano anterior. Em 2025, o número chegou a 3.038, crescimento de 15,2%. No primeiro semestre de 2026, foram registradas 3.063 operações.

Para dos Anjos, uma das principais vantagens do segmento é a recorrência do serviço. “O cuidado com as roupas faz parte da rotina das famílias. As lavanderias atendem à busca por praticidade e economia de tempo, com formatos adequados a diferentes necessidades dos consumidores”, afirma.

Praticidade compensa custo

A mudança nos hábitos é percebida por Celso Ancelmo de Lima, 40 anos. Morador de apartamento e vivendo sozinho, o funcionário público utiliza uma lavanderia self-service há cerca de um ano. Uma vez por semana, leva as roupas para lavar e secar e calcula um gasto de aproximadamente R$ 150 por mês.

“Ali eu já pego lavada e seca, daí eu só dobro e guardo no guarda-roupa”, conta. Para ele, a praticidade compensa o custo de comprar e manter uma máquina em casa, principalmente uma que lave e seque as roupas.

Em períodos de chuva, a procura aumenta, segundo ele, porque muitas pessoas que têm máquina de lavar em casa não possuem secadora. “Você gastou dinheiro com a máquina, com luz, com sabão em pó, com amaciante e, para secar, vai gastar o quê?”, questiona.

Lima considera o serviço especialmente vantajoso para quem mora sozinho e em apartamentos pequenos. Ele afirma que, antes de adotar a lavanderia, chegou a pensar em comprar uma máquina que lavasse e secasse, mas desistiu. “Eu acho que é muito vantajoso para quem mora em apartamento”, diz.

Movimento maior na chuva

A empresária Paula Roberta Mariani, proprietária de unidades da Lavô em Londrina, também percebe o aumento da demanda em dias chuvosos. Segundo ela, o movimento cresce, em média, 20%. A empresa possui três operações em Londrina, uma em Cambé, atende condomínios e prepara uma quarta unidade para a região sul da cidade.

As lojas funcionam 24 horas, segundo Mariani, para atender consumidores que trabalham durante o dia e precisam utilizar o serviço em outros horários. Ela entrou no segmento depois de conhecer lavanderias de autosserviço durante viagens ao exterior. “A gente acabou conhecendo lavanderias na Europa, nos EUA, e vimos a franquia e trouxemos essa opção para Londrina”, relata.

A lavagem dura cerca de 35 minutos e a secagem, 45. A empresária afirma que o serviço atende diferentes faixas de renda e que o movimento da unidade da Zona Norte continua estável mesmo com a abertura de concorrentes na região.

A empresária também vê na dificuldade crescente de contratação de mão de obra um fator favorável ao modelo. Ela ressalta que as lavanderias convencionais oferecem serviços especializados, como remoção de manchas e lavagem de roupas de festa, enquanto o autosserviço concentra-se nas roupas do dia a dia.

Mariani acredita que o mercado ainda tem espaço para crescer. Segundo ela, atualmente entre 4% e 5% da população brasileira utilizam lavanderias, mas esse índice pode chegar a 10% até o fim da década.

Leia mais:

Investimento pode ultrapassar R$ 600 mil

O crescimento do mercado também atrai empreendedores. Segundo Leonardo dos Anjos, diretor regional da ABF no Sul, o investimento varia conforme a marca e o modelo da operação. Há opções de franquias a partir de aproximadamente R$ 60 mil, enquanto os modelos mais robustos ultrapassam R$ 600 mil.

“O investimento varia bastante conforme a marca e o formato: uma lavanderia de autoatendimento tem uma estrutura diferente de uma operação com atendimento e serviços especializados”, explica.

O prazo médio de retorno apontado pelo Portal do Franchising fica entre 18 e 36 meses. Dos Anjos ressalta, porém, que o período depende do investimento inicial, localização, demanda e gestão. “É fundamental avaliar a projeção de cada rede e conversar com franqueados que já operam o negócio”, recomenda.

A empresária Isabela de Andrade Nobrega Balestri, proprietária da unidade da Bonasecco em Londrina, conhece os desafios de iniciar uma operação. Aberta em fevereiro de 2025, a loja é a primeira franquia de autosserviço da marca, que também possui lavanderias convencionais.

O investimento ficou entre R$ 180 mil e R$ 200 mil. Segundo Balestri, a unidade já se sustenta e apresenta lucratividade, mas o lucro ainda não foi suficiente para recuperar o investimento. “Se continuar no movimento que está hoje, vai se pagar em breve”, afirma.

Planejamento e escolha criteriosa

Ela acredita que Londrina ainda tem espaço para novas lavanderias, mas ressalta que a instalação de uma unidade exige planejamento, infraestrutura adequada e escolha criteriosa do ponto. “Não é simples. Para começar do zero, é um pouco complicado”, diz.

Para Balestri, a expansão do setor está ligada principalmente à redução do espaço disponível nos apartamentos e ao custo de equipamentos domésticos. “É uma demanda da sociedade moderna você ter um serviço de lavanderia fácil, rápido e que não seja caro”, afirma.

Na unidade da Bonasecco, em dias normais, cerca de 60% do movimento corresponde à lavagem e 40% à secagem. Com chuva, a proporção chega a 50% para cada serviço. Como a secagem demora mais, podem ocorrer filas nos períodos de maior procura.

Para dos Anjos, além da possibilidade de operação mais enxuta e horários ampliados, o sistema de franquias oferece treinamento, processos padronizados e suporte ao empreendedor. O diretor ressalta, entretanto, que o negócio exige atenção à escolha do ponto, à manutenção dos equipamentos e ao controle de custos como água, energia, aluguel e insumos.

mockup