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Impacto altera comportamento e traz lições


Laís Taine - Grupo Folha
Laís Taine - Grupo Folha

Elcio Cordeiro da Silva, professor do curso de Economia da Faculdade Pitágoras, aponta que a crise trouxe muita frustração ao brasileiro. “No começo do ano, a gente ouvia que o Brasil iria crescer em 2,2% ao ano, em 2021 cresceria 2,3%, tivemos a Reforma da Previdência aprovada, com expectativa de aprovar as reformas administrativa e tributária, havia ambiente propício aos negócios e crescimento econômico”, aponta. 


Essa perspectiva altera o comportamento social. O professor explica que a partir do momento que as pessoas passam a acreditar que a situação vai melhorar, elas passam a consumir mais e os empresários começam a investir, planejando-se para o futuro. Com a crise causada pela Covid-19, algumas apostas foram caindo, agora há tentativas de evitar quebras das empresas e agravamento do desemprego, e projeção de queda de 4,7% no PIB (Produto Interno Bruto) em 2020. “De um crescimento, nós estamos passando por uma crise”, sinaliza Silva. 




A mudança de expectativa no cenário econômico influencia nas ações dos agentes econômicos. As pessoas deixam de consumir e as empresas passam a retrair os investimentos. “A gente viu redução do consumo, redução da produção e a consequência disso é a redução da atividade econômica. As pessoas que já não têm muita renda acabam sofrendo mais, vão se privar ainda mais de terem alguns bens e serviços”, aponta.  


O professor explica que a crise impacta também as classes mais abastadas, com a redução dos livros e queda no rendimento dos investimentos. “A crise não afeta só os mais pobres, porque já não tinham recursos antes e sofrem com o agravamento da crise, mas as mais ricas sofrem também. Eles vão precisar ficar alertas, porque suas reservas estão atreladas a investimentos que sofreram impacto”, indica. 


LIÇÕES 

Diante desse cenário de incerteza, Silva acredita que o brasileiro poderá adotar novos comportamentos a partir de agora. Entre elas, a de manter uma reserva de emergência. “No início da pandemia, quando tivemos alguns decretos de introdução do isolamento social, em prazo de 10 a 15 dias, a gente começou a observar empresas que estavam passando necessidade, mas 15 dias é um período muito curto. A economia estava se recuperando e a pandemia veio derrubando, mas veio mostrar que as famílias e empresas não têm reservas”, indica. 


O professor afirma que quando a economia está bem, as pessoas focam no consumo, mas que é preciso refletir que outras crises virão e que todos podem se preparar melhor. “Se você cria reserva de emergência, não vai precisar recorrer a terceiros. Se a empresa concentra parte dos lucros, não vai recorrer a empréstimos bancários e financeiros”, aponta. 


Comportamento que ele defende ser adotado por todos. “Se a renda familiar é baixa, não vai conseguir ter reserva significativa, mas o comportamento é que importa, de ter esse compromisso de reservar parte do salário para construir a reserva”, aponta. Por conta dessa crise, o professor acredita que criar uma fonte de reserva pode ser uma lição aprendida, porém, coloca outra questão que precisa ser reavaliada: como consumimos. “Precisamos pensar no essencial, olhar para nosso consumo e como estamos conduzindo nossa vida, como estamos gastando, e construir uma reserva, na medida do possível. Se não agora, se o momento não propicia essa questão de poupar, quando essa pandemia passar”, indica. 




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