O turismo doméstico brasileiro manteve sua trajetória de recuperação em 2024, com os gastos dos viajantes somando R$ 22,8 bilhões em viagens com pernoite. O valor representa um crescimento de 11,7% em relação ao ano anterior, segundo dados da edição especial da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Apesar do aumento nos gastos, o número de viagens permaneceu estável, com 20,6 milhões de deslocamentos registrados. Também se manteve o total de domicílios com ao menos um morador viajante: 15 milhões. Como houve crescimento no número de residências no país, a proporção de lares que realizaram viagens caiu de 19,8% para 19,3%.

Para o analista da pesquisa, William Kratochwill, o dado revela que os brasileiros estão gastando mais por viagem. Segundo ele, isso pode indicar que os deslocamentos estão sendo mais longos ou com maior nível de consumo. Em 2024, o custo médio por viagem com pernoite foi de R$ 1.843, acima dos R$ 1.706 registrados em 2023. O gasto diário por pessoa também subiu, passando de R$ 253 para R$ 268.

A pesquisa mostra que o Nordeste foi a região onde mais se gastou em viagens, com média de R$ 2.523. O Sul também superou a média nacional, com R$ 1.943. Já o Sudeste, Centro-Oeste e Norte ficaram abaixo da média, com R$ 1.684, R$ 1.704 e R$ 1.263, respectivamente. Os estados com maior gasto médio por viagem foram Alagoas (R$ 3.790), Ceará (R$ 3.006) e Bahia (R$ 2.711). Na outra ponta, os menores valores foram registrados em Rondônia (R$ 930), Acre (R$ 1.019), Amapá (R$ 1.061) e Pará (R$ 1.085).

Quando se observa o gasto médio por origem da viagem, o Distrito Federal lidera com R$ 3.090, seguido por São Paulo, com R$ 2.313. Segundo Kratochwill, a renda per capita mais elevada do DF explica esse comportamento.

A relação entre renda e turismo é evidente. Nos domicílios com renda familiar per capita inferior a meio salário mínimo, o gasto médio foi de R$ 802. Já nas famílias com renda acima de dois salários mínimos, o valor ultrapassa a média nacional e chega a R$ 3.032 entre os que recebem quatro ou mais mínimos.

A falta de dinheiro foi o principal motivo apontado por quem não viajou, com 39,2% das respostas. Em seguida, vieram a falta de tempo (19,1%) e a ausência de necessidade (18,4%). Entre os lares com renda inferior a dois salários mínimos, o percentual que citou a falta de recursos como impedimento chegou a 55,3%. Já entre os mais abastados, o motivo mais comum foi a falta de tempo, especialmente entre os que recebem quatro ou mais salários mínimos, onde esse índice alcançou 33,2%.

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A pesquisa também revela que 96,7% das viagens realizadas foram dentro do território nacional. Dessas, 80,9% ocorreram dentro da mesma região, como deslocamentos entre estados do Nordeste, por exemplo. A maioria das viagens — 75,5% — teve duração de até cinco pernoites, sendo classificadas como curtas pelo IBGE.

O Distrito Federal também lidera em proporção de domicílios com ao menos uma viagem registrada: 26,7%, contra a média nacional de 19,4%. Além da renda elevada, Kratochwill aponta outro fator que pode explicar esse destaque: o perfil migratório da região, com muitos moradores que vieram de outras partes do país e que costumam visitar familiares em outras unidades da Federação. (Com informações da Agência Brasil)

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