Deputados tentam barrar decreto que limita acesso ao BPC
Medida do governo altera cálculo de renda e pode excluir beneficiários, apontam parlamentares
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 01 de julho de 2025
Medida do governo altera cálculo de renda e pode excluir beneficiários, apontam parlamentares
Da Redação 

Deputados de diferentes siglas, incluindo aliados do governo, apresentaram projetos para anular mudanças feitas pelo Executivo nas regras do Benefício de Prestação Continuada (BPC), que atende idosos e pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade. As novas regras, publicadas no fim de junho, alteram o cálculo da renda familiar e impõem novas exigências para a concessão do benefício.
A principal crítica é à inclusão do valor do Bolsa Família na renda per capita usada para definir se a família tem direito ao BPC. Como o limite é de até 1/4 de salário mínimo por pessoa, a medida pode reduzir o número de beneficiários. Também foram modificados critérios como a exigência de CPF ativo, uso obrigatório de biometria e prazos mais curtos para atualização cadastral.
De acordo com informações do jornal O Globo, são pelo menos seis projetos apresentados. Entre os parlamentares que reagiram à medida estão Duarte Jr. (PSB-MA), Fernanda Melchionna (PSOL-RS), Pompeo de Mattos (PDT-RS) e deputados do PL, incluindo o londrinense Filipe Barros (PL-PR). Alguns pedem a anulação total do decreto, enquanto outros propõem mudanças pontuais.
O Projeto de Decreto Legislativo 358/2025, de Filipe Barros, busca sustar integralmente os efeitos do novo regulamento. Para ele, as alterações foram feitas sem respaldo legal e acabam dificultando o acesso de quem mais precisa. Barros argumenta que o governo agiu de forma unilateral e que o decreto viola princípios constitucionais, como o da legalidade e da dignidade da pessoa humana. "O decreto presidencial que dificulta ainda mais o acesso ao BPC é mais um golpe petista contra a população que eles ainda têm coragem de dizer que defendem", postou Barros em suas redes sociais.
O que muda no BPC?
O Decreto nº 12.534, publicado no fim de junho pelo governo federal, muda regras importantes no acesso ao BPC (Benefício de Prestação Continuada), pago a idosos com 65 anos ou mais e pessoas com deficiência em situação de extrema pobreza. Veja os principais pontos:
✅ O que facilita o acesso
- Dois beneficiários por família: Agora, duas pessoas que moram na mesma casa podem receber o BPC, como dois idosos ou uma pessoa com deficiência e um idoso.
- Mais rendas excluídas do cálculo: Indenizações por desastres (como rompimento de barragens), outro BPC na mesma casa, aposentadorias e pensões de até um salário mínimo e o auxílio-inclusão não entram mais no cálculo da renda familiar.
- Alinhamento com o Estatuto do Idoso: O decreto corrige conflitos com a legislação, que já previa o direito à renda mínima para idosos mesmo quando há outro benefício na mesma residência.
❌ O que endurece as regras
- Fim do prazo para revisão: O governo pode convocar o beneficiário a qualquer momento para reavaliar o direito ao BPC — antes, havia um intervalo mínimo de dois anos.
- Proibição de acúmulo com Bolsa Família: Uma mesma família não poderá mais receber ao mesmo tempo o BPC e o Bolsa Família. Será necessário escolher entre os dois.
- Critério de renda mais rígido: A nova redação especifica que a renda "deve ser igual ou inferior" a 1/4 do salário mínimo por pessoa (R$ 379,50 em 2025), o que pode dificultar a concessão em casos de arredondamento.
- Exigências cadastrais ampliadas: É obrigatório ter CPF ativo, biometria registrada, estar inscrito no Cadastro Único e manter as informações atualizadas por pelo menos 24 meses.
- Vedação de acúmulo com outros benefícios: Quem recebe seguro-desemprego, aposentadorias acima de um salário mínimo, benefícios de servidores públicos ou outras transferências de renda não poderá acessar o BPC.


