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Crise hídrica e alta na tarifa de luz impulsionam mercado de energia solar

Brasil investe US$ 1 bilhão em importação de placas solares por ano; estudo defende consolidação de parque industrial de produtos fotovoltaicos no país

Simoni Saris - Grupo Folha
Simoni Saris - Grupo Folha

A crise hídrica que coloca o país em risco de apagão e fez disparar as tarifas de energia elétrica aumentou a demanda por equipamentos de energia solar. Se há alguns anos, empresas do setor tinham que sair à caça de clientes e convencê-los sobre os benefícios da geração de energia alternativa, hoje é cada vez maior o número de empresas e pessoas particulares que partem em busca de soluções de energia sustentável. O avanço desse mercado também alavancou as importações de placas solares no Brasil. Desde 2016, o investimento quadruplicou, chegando a US$ 1 bilhão em negociações por ano, segundo estudo do Etene, escritório de estudos econômicos vinculados ao Banco do Nordeste. 


Engenheiro eletricista e proprietário da HB Energia Solar, em Londrina, Bruno Juliano ingressou nesse mercado em 2015 e, nos primeiros anos, uma grande dificuldade era provar aos potenciais clientes a viabilidade do sistema. Hoje, apesar de persistir a ideia de que o processo de instalação das placas solares é muito caro, o trabalho maior da empresa é vencer a disputa com a concorrência, cada vez mais acirrada. 


Quando o dono de uma residência ou empresário busca alternativas para reduzir o gasto mensal com energia, um dos principais argumentos é o retorno do investimento que, na maioria dos casos, varia entre 36 e 48 meses. “Quanto mais energia gasta, mais rápido o retorno”, disse Juliano. 


As linhas de crédito disponibilizadas pelas instituições financeiras para a aquisição de equipamentos de energia solar facilitaram o acesso ao sistema. O custo de um equipamento básico, para uma residência, fica entre R$ 9 mil e R$ 11 mil e alguns bancos oferecem prazo de até 84 meses para o pagamento com carência de até 120 dias para começar a pagar. “O cliente faz o financiamento e, com a economia gerada, consegue pagar a dívida”, destacou Juliano. “Não tem limite para o investimento. Vai do perfil de consumo e do quanto precisa gerar de energia.”

  

Com o preço da fatura de energia elétrica nas alturas, a perspectiva de baixar a conta de luz em até 95% tem atraído cada vez mais interessados em adotar a energia solar em residências, condomínios, empresas, indústrias e no agronegócio. Juliano calcula que o número de projetos entregues pela empresa dele cresceu 200% desde o ano passado.  


Proprietário de um salão de beleza na zona sul de Londrina, há um ano o cabeleireiro Misael Rodrigues Santana investiu R$ 59.900 na instalação de um equipamento de energia solar. O consumo de energia elétrica gerava uma fatura de cerca de R$ 2,5 mil mensais, resultado do uso constante de ar-condicionado, secadores de cabelo, chapinhas e outros equipamentos.  


Santana conta que relutou por muito tempo para fazer a conversão para um modelo de geração de energia mais sustentável, mas um ano depois da decisão, só vê benefícios. O custo do projeto foi financiado em 30 meses e ele calcula que terá retorno do valor investido em um prazo de 30 a 36 meses. “Hoje, eu pago para a Copel apenas 10% do que eu pagava antes de ter energia solar. Com a economia, consigo pagar as parcelas do financiamento e ainda sobra. Meu consumo era muito alto e isso tem que ser repassado ao cliente. Quando eu fiz o investimento pensei na questão do consumo mesmo, mas agora, com a questão do risco da falta de energia, já estou preparado.”  


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O crescimento do mercado de energia solar é exponencial. O escritório Etene estima que a crise hídrica, que eleva a tarifa de energia elétrica, deve fazer o volume de negócios crescer ainda mais e defende a consolidação de um parque industrial de produtos fotovoltaicos no país para diminuir as importações, que hoje giram em torno de R$ 1 bilhão ao ano.

  

Quase a totalidade das placas em uso atualmente no Brasil vem da China e chega, principalmente, pelos portos de Santos (SP), Salvador (BA), Itajaí (SC) e Paranaguá (PR). A região Nordeste é responsável pela maior parte da energia solar gerada no país.  


A perspectiva para o setor é de que políticas públicas contribuam para impulsionar ainda mais os negócios nos próximos anos. O projeto de lei 5.829/19, que incentiva a geração de energia solar, foi aprovado pela Câmara dos Deputados em agosto passado e aguarda votação do Senado. O chamado marco regulatório da minigeração e microgeração distribuída no Brasil, entre outros itens, mantém até 2045 os benefícios da tarifa de quem já produz energia renovável ou vai instalar até um ano após a publicação da lei.(Com Folhapress

  


 

Crise hídrica e alta na tarifa de luz impulsionam mercado de energia solar
Divulgação
 


Empresa de Maringá aposta em itens para montagem de geradores fotovoltaicos 

 A Dicomp, de Maringá (Noroeste), comercializa produtos para a montagem de geradores fotovoltaicos para integradores e instaladores desses tipos de sistemas. Faz apenas um ano que a empresa entrou neste mercado e o segmento já representa 10% a 15% do seu faturamento. A expectativa é que, até o final deste ano ou início do ano que vem, este percentual chegue a 40%, mesmo considerando que as linhas de produtos de outros segmentos comercializadas pela empresa - de telecom e segurança - também estão em crescimento. 


Segundo o CEO da Dicomp, Filipe Favoto, a aposta da empresa no segmento veio depois que análises de mercado mostraram que o setor de energias renováveis é uma tendência que começou a ficar evidente em todo o mundo, especialmente nos últimos cinco anos. Hoje, o mercado se mostra extremamente aquecido devido ao aumento do custo da energia elétrica e da preocupação ambiental. 


Para ele, a aprovação na Câmara dos Deputados do PL (Projeto de Lei) 5.829/19, que institui o marco legal da microgeração e minigeração distribuída, aumenta a segurança jurídica de quem quer investir no sistema e fez com que o mercado ficasse mais aquecido. Uma das maiores preocupações era em relação a taxas cobradas pelas concessionárias.  


“Havia uma insegurança grande de mudar e começar a ser taxado de custo. A taxa vai existir, mas vai ser proporcional e ser aplicada no decorrer dos anos”, explica Favoto. “Com a legislação, possivelmente o número de instalações residenciais e empresariais vai se tornar muito grande. Para os próximos 12 a 24 meses a gente vê um crescimento significativo no mercado fotovoltaico, principalmente pela criação desse marco legal”, ele continua.(Mie Francine Chiba

 

  

Cooperativa de crédito incentiva geração de energia alternativa 

A cooperativa de crédito Sicredi União PR/SP financiou, por meio do programa Energia da União, mais de 1,9 mil projetos de energia solar, chegando a 55 mil módulos instalados em pouco mais de um ano. Somados, os módulos possibilitaram uma economia mensal de R$ 1,8 milhão em energia elétrica, por meio da geração de mais de dois milhões de kWh/mês de energia limpa.  


A gerente regional Norte da cooperativa de crédito, Carla Sonoda, destaca que o Energia Limpa pratica taxa de juros acessível, o que tem incentivado os associados a optarem pela implantação de placas fotovoltaicas. Mas o programa também incentiva a contratação de serviços de empresas locais e também repassa parte dos valores financiados para o programa educacional da cooperativa, o União Faz a Vida. Desde setembro de 2020, quando o programa foi lançado, o Sicredi União PR/SP concedeu mais de R$ 21,6 milhões em crédito para a instalação do sistema de energia renovável. 


O incentivo para pessoas físicas e jurídicas vem na forma de taxas de juros reduzidas e prolongamento do prazo de financiamento.(Reportagem Local)  


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