De uma factoring instalada no depósito de um contador, em Londrina, a uma das fintechs de crescimento mais acelerado do país. Os percursos da Bankme e de seu CEO, Tiago Eik, ganharam projeção nacional ao serem retratados pela Revista Exame, uma das principais publicações sobre o mundo dos negócios. O perfil destaca a ascensão da empresa e o caminho pouco linear do empreendedor.

A Bankme chama atenção devido ao crescimento expressivo, com crescimento de faturamento em mais de 80% em 2025. A proposta da fintech é transformar empresas em minibancos, com uma tecnologia própria que indústrias e distribuidoras criem suas próprias operações de crédito.

“Antes, esse tipo de estrutura era restrito a empresas que faturavam mais de R$ 1 bilhão. Hoje, conseguimos levar isso para companhias que faturam a partir de R$ 100 milhões”, explica Eik, fundador da fintech ao lado de André Bravo, COO da Bankme. Segundo ele, a democratização desse acesso é um dos principais diferenciais da empresa.

A fintech londrinense já operou mais de R$ 1,5 bilhão e mantém cerca de 200 minibancos ativos em diferentes regiões do país, com maior concentração nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná. São indústrias e distribuidoras de médio porte que encontraram, na solução, uma forma de crescer com maior autonomia financeira.

Atualmente, a fintech londrinense vive uma fase de maturidade, com geração de caixa e expansão sustentada. O foco segue direcionado a empresas com faturamento entre R$ 100 milhões e R$ 900 milhões anuais, um nicho que ainda é pouco explorado por soluções financeiras sofisticadas, segundo o CEO.

Mesmo atuando num ramo em que os maiores players se concentram em São Paulo, os fundadores decidiram manter a sede em Londrina. Segundo Eik, a decisão é estratégica. Caso a fintech seguisse fisicamente para onde estão as maiores empresas do mercado financeiro, seria necessário desembolsar valores mais altos para atrair executivos sêniores.

Ao invés disso, Eik criou um filtro que busca em sites de recrutamento talentos formados em Londrina e no Norte do Paraná que estão em altos cargos de grandes centros. Assim, entra em contato com os selecionados e oferece um salário até mais baixo, mas com outros benefícios: uma cidade com alta qualidade de vida, mais segura e menos cara. “O custo de vida em Londrina é 40% menor que em São Paulo. Então, ao fazer os cálculos, abrir mão de parte da renda para ter todos os outros ganhos acaba compensando”, diz o CEO, que se dispõe a oferecer sua ferramenta para outras grandes empresas locais, objetivando fomentar o crescimento econômico da região.

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Empreendedor nato

Filho de um caminhoneiro e de uma professora, Eik cresceu em Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina), em um ambiente onde o empreendedorismo fazia parte da rotina. “Desde criança, de origem libanesa, fui incentivado a comprar e vender”, conta. A influência da cultura familiar ajudou a moldar o perfil voltado aos negócios.

Ainda jovem, teve seu primeiro grande acerto ao desenvolver uma tecnologia para tanquinhos de lavar roupa que acabou sendo licenciada para uma multinacional. Em poucos anos, a inovação estava presente em equipamentos em todo o país, garantindo um contrato de royalties que lhe proporcionou receita relevante ainda na casa dos 20 anos.

Certo de que conseguiria repetir o desempenho em qualquer área, Eik chegou a manter sete empresas simultaneamente. Porém, ao fazer uma autoavaliação, percebeu que a estratégia era insustentável. “Eu não conseguia ser o melhor em nenhuma delas”, afirma. A constatação levou à decisão de vender praticamente todos os negócios e concentrar esforços em apenas um.

Foi assim que, em 2019, escolheu permanecer com a Fomento 43, uma pequena factoring que foi o ponto de partida para o que viria a se tornar a Bankme. A operação era modesta, funcionando dentro do escritório do contador. Sete anos depois, a empresa soma cerca de 90 colaboradores, passou por quatro rodadas de investimento e construiu uma presença nacional com um modelo considerado inovador no mercado financeiro.

Para Eik, o reconhecimento da Revista Exame é resultado direto de uma jornada construída com disciplina e aprendizado contínuo. “Nada é mais valioso do que o nosso tempo. Se eu vou me dedicar a algo, preciso fazer com excelência”, resume.

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