Comércio de rua de Londrina irá funcionar no feriado do padroeiro
Acordo entre trabalhadores e patrões definiu a abertura das lojas durante meio período nesta sexta-feira (12), com expediente das 9 às 13 horas
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 09 de junho de 2026
Acordo entre trabalhadores e patrões definiu a abertura das lojas durante meio período nesta sexta-feira (12), com expediente das 9 às 13 horas

O Dia dos Namorados já se consolidou como a terceira melhor data do calendário comercial brasileiro, atrás apenas do Natal e do Dia das Mães. Neste ano, a data comemorativa irá coincidir com o feriado municipal do Sagrado Coração de Jesus, padroeiro de Londrina, e para não perderem vendas, lojistas e funcionários do comércio entraram em um acordo e decidiram manter meio expediente na próxima sexta-feira (12). O acordo vale para o comércio de rua, que irá funcionar das 9 às 13 horas.
Pelos termos da convenção coletiva assinada na segunda-feira (8), os trabalhadores do comércio receberão R$ 80 referentes à meia diária e também terão direito a uma folga de quatro horas para ser compensada até o próximo dia 31 de julho. A decisão afeta cerca de 22 mil trabalhadores do comércio.
Além dos trabalhadores e empresários, as negociações para a abertura do comércio no feriado religioso envolveram também a Igreja Católica, que no dia do padroeiro da cidade realiza a tradicional festa no estacionamento da Catedral Metropolitana de Londrina. O presidente do Sincoval (Sindicato do Comércio Varejista de Londrina), Ovhanes Gava, consultou o arcebispo, Dom Geremias Steinmetz. “Ele se mostrou receptivo à ideia. A abertura do comércio acaba atraindo o consumidor para as missas e para a festa e a igreja atrai consumidores para as lojas. Houve uma comunhão muito grande entre o trabalho, o capital e a religião.”
As negociações passaram também pelos órgãos de segurança e pela CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização). A Polícia Militar e a Guarda Municipal garantiram o efetivo e os ônibus do sistema de transporte público irão circular em horário normal durante todo o dia.
Prejuízo
Proprietária de duas lojas de confecção em Londrina, Patrícia Teló calcula que o fechamento do comércio neste feriado resultaria em perdas de até 20% nas vendas. “Semana de pagamento, Dia dos Namorados, frio intenso e Copa do Mundo. Fechar as lojas atrapalharia as vendas entre 10% e 20%. No Dia dos Namorados, a expectativa é alta. E com a Copa, já estou vendendo mais. No sábado passado, quando teve o amistoso, houve um aquecimento nas vendas de produtos do Brasil. Não estava animada a investir, mas investi e fui surpreendida. Já estou com reposição de produtos.”
Teló irá abrir as suas duas lojas no centro, mas com quadro de funcionários reduzido em torno de 30%. “A gente faz uma consulta entre eles, mas 99% aceitam trabalhar com facilidade porque têm uma renda extra e depois, recebem uma folga. A troca fica justa. Mas sempre damos a opção ao trabalhador. Agora, precisa a população comparecer.”
Durante as discussões que possibilitaram as lojas abrirem na sexta-feira, ficou decidido ainda que na quinta-feira (11), a abertura do comércio de rua até as 21 horas seria facultativa.
Diretor comercial do Grupo Móveis Brasília, Fernando Moraes disse que fechar as portas neste feriado implicaria perdas significativas nas vendas. “Dia dos Namorados e véspera de um jogo do Brasil na Copa. Seria um prejuízo muito grande”, comentou ele, que trabalha com a expectativa de aumentar em até 50% as vendas de televisores sobre os outros meses.
Leia mais:
Copa do Mundo
Outro tema debatido com patrões e empregados na segunda-feira foi o horário de funcionamento das lojas dos shopping centers nos dias de jogos do Brasil na Copa do Mundo. Na primeira fase, as partidas acontecem à noite. Nos dias 13 e 24 de junho, os jogos estão marcados para as 19 horas e, no dia 19 de junho, a disputa será às 21h30.
Na negociação, ficou estabelecido que os atendentes das lojas desses espaços comerciais irão encerrar o expediente uma hora antes das partidas, mas as horas "perdidas" deverão ser compensadas posteriormente. “As lojas das praças de alimentação vão tentar levar entretenimento para os shoppings, mas as outras lojas irão fechar mais cedo e os funcionários terão de repor as horas não trabalhadas. Se isso não for feito, as horas não compensadas poderão ser descontadas, mas sem outros descontos de DSR (Desconto Semanal Remunerado)”, explicou o presidente do Sincoval.


Simoni Saris
Repórter com atuação nas áreas de Economia, Infraestrutura e Agronegócio.





