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Cesta básica em Londrina atinge maior valor em 12 meses

Valor da cesta para uma pessoa chegou a R$ 489,38, com alta de 2,4%; carne foi responsável por 46% do valor dos produtos

Mie Francine Chiba - Grupo Folha
Mie Francine Chiba - Grupo Folha

O preço da cesta básica, calculado a partir da média das 11 redes de supermercado de Londrina, apresentou no mês de novembro uma elevação mensal de 2,4% e chegou a R$ 489,38 para uma pessoa adulta, o maior valor em 12 meses. Para uma família de quatro pessoas (dois adultos e duas crianças), o valor chegou a R$ 1.468,13.                 


 

Quase 50% do valor da cesta foi comprometido pela carne, que teve elevação de 9,3% em novembro
Quase 50% do valor da cesta foi comprometido pela carne, que teve elevação de 9,3% em novembro | iStock
 


Na comparação com novembro de 2019, quando a cesta tinha o valor médio de R$ 402,65, a elevação foi de 21,5%. No ano, a variação foi de 22% contra o valor médio de 2 de janeiro de 2020 (R$ 401,02). O levantamento é realizado pelo NuPEA (Núcleo de Pesquisas Econômicas Aplicadas), da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), campus Londrina.


Dos 13 produtos que compõem a cesta, a maioria (9) apresentou aumento de preços: batata, açúcar, carne, banana, leite, farinha, óleo, margarina e arroz. O feijão foi o único item que ficou com preços estáveis, e o café, o pão e o tomate tiveram redução de preços.


Dentre os produtos que tiveram alta, destaque para a batata (21,9%), o açúcar (10,9%) e a carne (9,3%). Já entre os produtos que tiveram redução de preços, o tomate (-28,6%), o pão (-2,7%) e o café (-2,3%) tiveram as maiores baixas.


Em novembro, a carne teve peso de 46% na cesta básica londrinense, maior valor já visto, afirmou o economista e coordenador do NuPEA, Marcos Rambalducci. Segundo ele, as exportações e o câmbio elevado estão elevando o preço do produto. "Estamos exportando muita carne e o câmbio também está forçando o preço de vários insumos, principalmente a parte de vacinas. Também estamos vivendo uma estiagem muito grande, o que obriga o pecuarista a usar muita ração a base de soja e milho. Isso tem um custo muito elevado, principalmente porque esses produtos estouraram o preço em função da exportação." 


Embora outros produtos não tenham apresentado elevação tão significativa, também impactaram no preço da cesta porque seus preços já vinham somando aumentos ao longo dos meses e não recuaram. 


Em comum, os produtos da cesta têm a taxa de câmbio, avalia Rambalducci. "É interessante observar como taxa de câmbio é capaz de alterar o comportamento dos preços, de um lado aumentando os custos e de outro os preços, em função do aumento da demanda do mercado internacional."


ECONOMIA

Se o consumidor se dispusesse a adquirir os produtos de menor preço em cada um dos supermercados pesquisados, a cesta custaria 19,5% menos (R$ 394,06). Se comprasse todas as mercadorias no supermercado com os menos preços, pagaria 12,3% menos (R$ 429,17). Já se comprasse no supermercado com os maiores preços, pagaria 5,1% mais caro (R$514,11).


PODER DE COMPRA

Em novembro, percebe-se através do valor da cesta básica que o poder de compra do trabalhador que ganha um salário mínimo nacional (R$ 1.045) caiu, uma vez que para adquirir o conjunto de produtos ele precisou comprometer 44,4% de sua jornada. No mês anterior, o percentual era de 40,5%.


O trabalhador que recebe o salário mínimo paranaense (R$ 1.383,80) também teve o poder de compra reduzido. No mês passado, a aquisição da cesta exigiu 33,5% de sua jornada, enquanto em outubro o índice foi de 30,5%.


NATAL

E ao que tudo indica, o londrinense pagará mais caro pela ceia de Natal, devido ao aumento do consumo de alimentos, afirma Rambalducci. "Como os produtos importados estão aumentando em função da taxa de câmbio, o consumidor vai ter que se virar para comprar produtos nacionais, que vão ter uma alta demanda, em especial a carne. Devemos estar preparados para uma elevação ainda maior do preço da carne, que pode acabar até superando os 46% de composição do preço da cesta básica visto essa demanda. O bacalhau vai ser impossível de ser comprado. Azeitonas, produtos importados vão estar muito mais caros, e os londrinenses migrarão para os produtos nacionais, encontrando barreiras de preços."

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