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Economia

m de leitura Atualizado em 18/06/2022, 10:31

Caminhoneiros e motoristas declaram que reajuste afeta a categoria

Sem reajuste da tabela de fretes, aumento de combustíveis pressiona ganhos desses profissionais

PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de junho de 2022

Vítor Ogawa - Grupo Folha
AUTOR autor do artigo

Foto: Gustavo Carneiro/Grupo Folha
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Os caminhoneiros constituem boa parte da base de eleitores do presidente Bolsonaro, mas para o caminhoneiro Ari Júnior Pereira Ávila, 40, a culpa do reajuste dos combustíveis não pode ser atribuída a ele. “É um presidente honesto lutando contra uma cambada de bandido. Enquanto não melhorarem esses deputados e senadores não vai mudar.  No ano passado, durante a pandemia, quando o caminhoneiro era necessário para a sociedade, eu pagava em torno de R$ 4,20 por litro de diesel. Agora, estou pagando R$ 6,75 por litro. A cada 1.200 km que eu percorro, perco mil reais com esses reajustes. Vou trabalhar até onde der para pagar a parcela do caminhão. Com isso, deixo de reinvestir no caminhão. Invisto só no básico: nos pneus, no freio e na troca de óleo”, apontou.

Para o caminhoneiro autônomo, Almir Justino Gardin, de Cambé, os reajustes de combustíveis estão inviabilizando a profissão do caminhoneiro autônomo. Para o caminhoneiro autônomo, Almir Justino Gardin, de Cambé, os reajustes de combustíveis estão inviabilizando a profissão do caminhoneiro autônomo.
Para o caminhoneiro autônomo, Almir Justino Gardin, de Cambé, os reajustes de combustíveis estão inviabilizando a profissão do caminhoneiro autônomo. |  Foto: Gustavo Carneiro/Grupo Folha
 

Para o caminhoneiro autônomo, Almir Justino Gardin, de Cambé, os reajustes de combustíveis estão inviabilizando a profissão do caminhoneiro autônomo. “O custo está muito elevado em relação à receita. A margem está muito pequena e já não tem como manter um veículo rodando. O preço do frete não tem acompanhado esses reajustes e a tabela de frete muitas vezes nem é cumprida”, declarou. Segundo ele, aos poucos os caminhoneiros autônomos estão parando de atuar na área. “Para o autônomo, está ficando inviável. Não temos condições de continuar. No ano passado, mais ou menos nesta época do ano, eu pagava R$ 3,79 o litro do óleo diesel. Hoje estou abastecendo a R$ 6,55. Ao abastecer 800 litros, você acaba pagando quase o dobro do que gastava antes. Se você gastava R$ 2,5 mil, hoje gasta R$ 5 mil”, calculou. Ele ressaltou que o caminhoneiro acaba tirando essa diferença da margem de lucro dele. “Mas chegamos a um ponto em que não temos mais de onde tirar. Sem acompanhar a evolução do frete está muito difícil”, ressaltou. Ele afirmou que o governo deveria oferecer um incentivo para os caminhoneiros, inclusive para renovação da frota. 

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O caminhoneiro Sidnei Francisco dos Santos, de Paiçandu (Noroeste), afirmou que está muito difícil trabalhar com o preço do óleo do jeito que está. “Com o valor do combustível subindo a cada sete dias, fica difícil. O caminhão é o que leva tudo neste País. É o que move o Brasil. Deveriam estabelecer um preço compatível para a categoria fazer o trabalho de acordo com isso. Acho que esse aumento é tudo fruto da politicagem.”, argumentou. Ele ressaltou que nesta sexta-feira pagou R$6, 65 pelo litro de diesel. “E este é um dos postos que está mais em conta.  Em um dos postos pelo qual passei estava R$ 7,75. Esse reajuste prejudica nosso ofício, porque o caminhão não consome só combustível, mas também óleo de motor, pneus e se colocarmos na ponta do lápis vai dar uma diferença grande, ainda mais com o frete baixo. No Norte do Paraná, ainda estamos há quase um ano sem pedágio. Imagine se eu  tiver de pagar pedágio de um caminhão de sete eixos. Iria ficar inviável”, declarou.

Flávio Ribeiro Moraes é motorista de caminhão há nove anos e está desesperançoso com a situação. “Não vai acontecer nada. Depois que abaixaram o ICMS, logo em seguida veio esse reajuste de preços. Hoje quase todos os postos já subiram o valor e só um ou outro posto ainda não subiu”, declarou. Para ele. é preciso tirar essa diferença de algum lugar e quem é mais sacrificada é a família. “Daqui a pouco a gente vai ter que tirar esse dinheiro da manutenção do caminhão. Vai faltar um pneu, vai faltar o óleo de freio e vai ficar difícil a manutenção. Isso vai colocar em risco a vida de todo mundo. Um pneu que custava R$1,6 mil e hoje pago R$ 2,8 mil”, declarou.

Quem presta serviço aos caminhoneiros também já está sentindo o baque. O mecânico Cléber Silva Magalhães Ribeiro presta socorro aos caminhoneiros que circulam na região e afirma que está ficando cada vez mais difícil trabalhar. “Muitos já estão tentando se virar sozinhos, porque não estão em condições de entrar em contato com a gente”, afirmou.

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