Após ação de Trump, Haddad e Tarcísio trocam acusações
Ministro chamou governador de São Paulo de "vassalo", que rebateu: "Falar menos e trabalhar mais"
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quinta-feira, 10 de julho de 2025
Ministro chamou governador de São Paulo de "vassalo", que rebateu: "Falar menos e trabalhar mais"
Carlos Villela - Folhapress 

PORTO ALEGRE, RS - O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), trocaram farpas nesta quinta (10) com o pano de fundo das sobretaxas anunciadas pelo governo Donald Trump contra o Brasil.
"O governador [Tarcísio] errou muito, porque, ou bem uma pessoa é candidata à Presidência, ou é candidata a vassalo, e não há espaço no Brasil para vassalagem. Desde 1822, isso acabou", disse Haddad nesta quinta-feira (10) em entrevista a portais de esquerda.
Na quarta-feira (9), Tarcísio havia criticado o governo Lula e eximido Bolsonaro ao comentar a tarifa de Trump.
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"O que está se fazendo aqui? Se ajoelhar diante de uma agressão unilateral, sem nenhum fundamento econômico, sem nenhum fundamento político?", questionou o ministro.
O ministro disse que o alinhamento de aliados de Bolsonaro a Trump traz um custo caro à economia paulista. "Até a extrema-direita vai ter que reconhecer, mais cedo ou mais tarde, que deu um enorme tiro no pé, porque está prejudicando o principal estado do país. É o suco de laranja de São Paulo, são os aviões produzidos pela Embraer", disse Haddad.
Impacto negativo para SP
Ainda pela manhã desta quinta (10), Tarcísio rebateu a fala de Haddad em entrevista a jornalistas durante a entrega de uma obra do metrô na Brasilândia, zona norte de São Paulo. "Acho que ele tem que cuidar da economia. O Brasil não está indo bem, o Brasil tem um problema fiscal relevante, então acho que cabe a ele falar menos e trabalhar mais", disse.
Tarcísio reconheceu o impacto negativo das tarifas para a economia de São Paulo e responsabiliza o governo Lula e o Supremo Tribunal Federal pelas ações do governo Trump.
"Há uma série de posturas que não condizem com a nossa tradição democrática e eu espero que o Brasil sente na mesa e resolva o problema das tarifas", disse.
O governador, que é cotado como candidato à Presidência em 2026, disse que o Brasil tem dado demonstrações de afastamento dos Estados Unidos, evidenciado durante a reunião dos Brics. "Precisamos estabelecer o consenso e lembrar o seguinte: os americanos sempre foram aliados de primeira hora do Brasil. É o maior investidor estrangeiro direto do Brasil. Então, a gente tem muito a perder."


