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Minha especialidade: risotos


Fábio Luporini/ Especial para Folha 2
Fábio Luporini/ Especial para Folha 2

Até chegar à mesa brasileira – adaptado, obviamente –, o risoto viajou países e séculos antes de cair no paladar tupiniquim. Hoje alçado à condição de prato típico italiano e considerado de alta gastronomia, nem sempre foi assim. O grão usado para prepará-lo, trazido pelos Sarracenos (povo nômade pré-islâmico, formado por árabes ou mouros) ao sul da Itália no século XI, subiu ao norte da Itália e, no século XIV, já fazia parte do banquete de príncipes e princesas.


 Dizem que a receita original surgiu em 1574, durante a construção da Catedral de Milão: risoto de açafrão ou risotto alla milanese. Há inúmeras lendas em torno dessa história. O que se sabe, todavia, é que o povo italiano tem o maior apreço por essa iguaria. E a defende com unhas e dentes, sendo avessos às brasilidades às quais estamos acostumados, assim como é com a pizza e com as massas.  Entretanto, o risoto é o único prato que sei cozinhar. Ok. Talvez seja exagero dizer isso. Mas, ao menos, é minha especialidade na cozinha.



Minha especialidade: risotos
 


 E no paladar também. Em Londrina, já experimentei e degustei inúmeros risotos pelo circuito de restaurantes da cidade. Gostei da maioria. Tenho meus preferidos em cada lugar. E cada chef sabe qual é. Mas, também aprendi a prepará-lo, observando minha tia Silvana Panichi cozinhar. Claro que, depois disso, comecei a fazer do meu jeito, daquele tipo olhômetro: não tem receita nem nada, a gente vai colocando os ingredientes e vai dando certo. Pelo menos é o que dizem os amigos educados.


 Meus mais comuns, deliciosos e fáceis de fazer: queijo gorgonzola com tiras de filé mignon e limão siciliano (de vez em quando coloco umas alcaparras que fica ó!); queijo brie, camarão e limão siciliano (pode-se colocar aqui aspargos ou palmito, depende da preferência de cada um); linguiça calabresa, queijo provolone, presunto parma e rúcula; ou então o de queijos variados (mistura de gorgonzola, brie e parmesão) com tiras de filé mignon e cogumelos (shitake e shimeji). Eu te garanto que nenhum desses ficou ruim. Não tem chance! Até quem não gosta de cogumelos gosta do risoto preparado com tal.


 Tudo bem, vou me aventurar em outros diferentes pratos na cozinha! Mas, por enquanto, é o único que, com segurança, consigo preparar sem ter erro. Se eu não der certo como jornalista ou professor, certamente vou abrir um bistrô especializado no meu risoto ou, então, cozinhar na casa dos outros, por encomenda. Não seria má ideia. E, com certeza, seria delicioso! Não acha?



 

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