Com o sabor de Portugal
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quinta-feira, 10 de maio de 2018
Marcos Roman<br>Reportagem Local 

Um dos países que mais consomem sopa no mundo, Portugal têm muito a ensinar quando o assunto são receitas que ficam ainda mais saborosas nesta época do ano, quando todos estão esperando a queda da temperatura típica do outono. Abusando da criatividade, o leque de sopas portuguesas é tão vasto que agrada variados paladares mesclando ingredientes que agregam ainda mais sabor e textura a este alimento que é um dos mais antigos da história da humanidade.
O menu de sopas portuguesas varia conforme cada região do país. A receita mais conhecida é a do caldo verde, típica do Litoral Norte que acabou se espalhando para todo o país antes de ganhar o mundo. De acordo com a tradição local, o caldo verde deve ser servido em tigelas de barro, acompanhado com uma fatia de broa de milho, rodelas de chouriço e regado com um fio de azeite.
No Algarve, o prato mais conhecido é a canja de conquilhas, que tem como ingrediente principal esse molusco que é bastante conhecido por lá. A receita leva ainda coentro, arroz tomate, azeite, louro, pimenta e sal. Outras receitas locais muito apreciadas são a sopa de peixe, preparada com peixes variados, batatas, temperos diversos e massas; e a sopa de beldroegas, feita com queijo de cabra fresco e beldroegas (planta medicinal com sabor suave).
Em Beira Alta, o caldo de castanhas tornou-se um prato tradicionalmente consumido pelos católicos no Domingo de Ramos. A sopa da Beira é também muito popular naquela região e tem como ingredientes as nabiças (legume da mesma família dos nabos), couve-galega, presunto e farinha de milho.
Já na região Oeste, o caldo mais famoso é a sopa de entulho, que leva feijão-manteiga, abóbora, batatas, couve-lombarda, vinagre, cravinhos, cebola, osso de presunto ou de porco salgado. No centro-Sul, o destaque fica por conta da sopa de tomate com ovos escalfados (colocados inteiros, sem casca, na panela até ficarem cozidos). Entre dos ingredientes desta sopa estão o tomate, cebola, azeite e alho.
Tem ainda a sopa da pedra, conhecida sopa ribatejana, nascida na zona de Almeirim. Reza lenda que a receita teria sido difundida por um frade pobre que vivia em peregrinação e que, orgulhoso demais para simplesmente pedir comida, costuma chegar nas casas que ficavam em seu trajeto pedindo aos donos que lhe emprestassem uma panela para ele preparar uma sopa de pedra. De acordo com a história, após a aprovação dos anfitriões e se dirigia à cozinha, tirava de seu embornal uma bela pedra lisa e bem lavada e a colocava numa panela. Em seguida começava a pedir temperos e outros ingredientes para deixar a receita mais saborosa. Após incluir sal, chouriço ou toucinho, ele perguntava se havia legumes para engrossar a sopa e costumava inserir batatas, cenoura ou feijão cedidos pelos moradores. Por fim pedia uma carne para adicionar a receita e, após constatar que o prato já estava bastante atraente, tirava a pedra e consumia a sopa. A receita sem a pedra, é claro, até hoje costuma ser servida em diversas regiões de Portugal.
*Fonte: site pingodoce.pt


