A lei do 1/3 na gestão de uma crise


Crise é todo evento que provoca uma mudança brusca e significativa num ambiente que até então era estável. Aquele tipo de novidade que desequilibra o statu quo, exigindo nossa atenção imediata.


Como todos sabem, neste momento estamos enfrentando mais uma delas. Porém, esta não se trata de uma crise qualquer. A pandemia do novo coronavírus é um evento de grandes proporções que vai abalar o mundo dos negócios profundamente. Você ainda tem alguma dúvida disso?




Mas não pense que estou refletindo sobre os nossos dias de quarentena com um olhar pessimista, de alguém que enxerga o apocalipse. Na verdade, penso exatamente o contrário: junto com o caos, estão surgindo inúmeras oportunidades de negócios, em todos os mercados. Apesar de ser bastante difícil identificá-las no meio desse turbilhão todo.


Guardo apenas uma certeza: quem sairá fortalecido dessa crise é aquele que não fugir do papel que lhe cabe hoje. Esta semana participei de uma live na qual, em um determinado momento, alguém me perguntou: “Sinto que os líderes estão sofrendo uma pressão muito grande. O que podemos fazer para minimizá-la?" E na hora respondi: “Bem, creio que pouca coisa. É para momentos como este que líderes são capacitados e necessários nas organizações. É agora que eles realmente precisam fazer a diferença".


Se você também ocupa um papel de gestão, não tenha dúvida alguma de que chegou a hora de realmente mostrar do que é capaz. Assumir a responsabilidade de fazer acontecer, dentro daquilo que a sua mão alcança, é claro.


Algumas pessoas chamam isso de Lei do 1/3. Ela ensina que 1/3 de tudo o que acontece com você nesse momento depende de situações do mercado que você não pode controlar. Outro 1/3 é impactado pelas pessoas que trabalham em sua empresa e fora dela (seus líderes, liderados, clientes, fornecedores etc), que nem sempre influencia. Mas há 1/3 que depende só de você.


O seu 1/3 hoje é colocar em prática um plano de contingência que alcance os próximos 30 dias. Algo que responda a questões, como: Quais decisões difíceis precisam ser tomadas para minimizar as perdas financeiras do negócio e honrar os compromissos financeiros já assumidos? E o que os clientes esperam que vocês façam já para continuarem comprando?


E um conselho: envolva a sua equipe nesse trabalho inicial. Os colaboradores já vêm pensando em possíveis soluções desde que a quarentena começou e estão dispostos a ajudá-lo. Você só precisa perguntar a eles.


Quinze dias depois de começar a tirar do papel o seu plano de contingência, daí formule um plano de recuperação. Nesse momento, a questão central passará a ser: O que vocês devem fazer para voltarem ao mesmo patamar de resultados do período pré-crise?


E só daqui a três meses, formule uma estratégia robusta pós-crise. Agora não é tempo de você investir sua energia em análises de cenários que focalizam o longo prazo. Ainda há muita névoa impedindo enxergarmos o que existe no horizonte.


A grande verdade é que o seu 1/3 de agora tem a ver com implantar ações táticas de curto prazo. Deixar de lado o exercício de futurologia para colocar a mão na massa de verdade.




Wellington Moreira, palestrante e consultor empresarial

[email protected]

Como você avalia o conteúdo que acabou ler?

Pouco satisfeito
Satisfeito
Muito satisfeito

Tudo sobre:


Continue lendo


Últimas notícias