Esta semana comecei a ler a coletânea "Teatro Fora da Caixa", um box com cinco livros que trazem as obras dramatúrgicas de Renato Forin JR, incluindo a edição revista de "Samba de Uma Noite de Verão", que lhe rendeu um Prêmio Jabuti em 2017.

Comecei pelos prefácios, a começar pelo que escrevi para um dos livros, depois li os textos dramatúrgicos, navegando pela obra que sinaliza um legado que permeia a história de Londrina, onde companhias teatrais se extinguiram e se formaram.

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Londrina tem, ainda, movimentos muito vivos de teatro: além da obra Renato Forin JR, na dramaturgia temos os geniais Maurício Arruda Mendonça e Mário Bortolotto - detentores de prêmios nacionais - Camila Feoli e Luan Valero, que produzem textos e dirigem espetáculos na cidade, só para ficar em alguns nomes, com o perdão de outros.

O que se vê aqui é um legado essencial da cultura da cidade. Não dá para esquecer Nitis Jacon, a fiandeira do movimento que criou o grupo Proteu em 1978 num contexto em que já se vivia o teatro local com uma intensidade pouco vista em cidades do interior. Londrina não cresceu só à sombra dos cafezais, mas à sombra de arte e cultura que lhe deram uma configuração metropolitana que, ainda hoje, oferece a toda região a riqueza de seus festivais.

Esta semana, enquanto o 45º Festival Internacional de Música de Londrina levava três shows a Arapongas, veio a notícia de que, na cidade vizinha, uma Escola Municipal de Artes que leva o nome de Nitis Jacon foi inaugurada. Assim, Arapongas sai na frente, nominando um espaço em homenagem à grande mentora do Filo - Festival Internacional de Londrina. Enquanto isso, a cidade do Filo fica nos "ensaios" com o projeto abortado do Teatro Municipal, que poderia ser um Teatro Municipal Nitis Jacon.

A pergunta é: onde estão os empenhos e recursos para que o Teatro Municipal de Londrina seja concluído? "Ah! agora, os R$ 800 mil da emenda impositiva da Bancada do Paraná foram congelados, em mais da metade, pelo contingenciamento do governo federal."

É que o governo federal, depois de ser retaliado em quase todas as suas propostas enviadas para o Congresso, se cansou de liberar emendas que, em sua maioria, servem para azeitar a máquina da nobreza nas eleições. Sem contar os parlamentares que, por incapacidade cognitiva ou simples oportunismo, aplaudem o tarifaço de 50% dos produtos brasileiros decretado por Trump, na contramão de 72% dos brasileiros que rejeitam a medida, segundo as pesquisas.

Agora, com as verbas prometidas contingenciadas, a construção do Teatro Municipal volta ao pesadelo do abandono. E não é o único em Londrina: quando a nova gestão municipal se instalou na cidade, um ato performático foi encenado na fachada do Teatro Zaqueu de Melo quando colocaram de volta uma letra que faltava em seu nome.

Mas não se sabe, ainda, a quantas anda o futuro desse teatro que merece todas as letras, poltronas, palco e luzes colocados em seus devidos lugares porque cultura não é apenas uma peça de marketing, é parte do DNA de Londrina.

O que não faltam na cidade são diretores, atores e dramaturgos, esse é nosso legado, o que falta é consciência política para criar condições de terminar um Teatro Municipal que está paralisado desde 2014, enquanto os fantasmas da ópera aguardam alguma ação no mundo dos vivos que têm "a força da grana que ergue e destrói coisas belas," como disse Caetano.

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