AOS DOMINGOS PELLEGRINI -

Vai ficar melhor


Ao contrário do que acreditam os catastrofistas, não penso que tudo vai de mal a pior, creio é que tudo vai sempre melhorar, basta olhar para trás.

Há um século as mulheres não podiam votar e só existiam absorventes higiênicos caseiros. E os homens ainda acreditavam que homem não chora.

Há meio século era preciso esperar até dias para um telefonema interurbano (nove sílabas para expressar uma tecnologia superada por outra de apenas uma sílaba, net).



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Pandemia? Muito pior foi a Gripe Espanhola alastrada pela ignorância e sem tratamento eficaz, nem chegou ao mundo todo mas matou mais de 50 milhões, num tempo tão primitivo que nem se tinha como contar os mortos. E esta pan, se nos revelou o pior de nós como a corrupção endêmica, também muito nos fez avançar, como sempre desde que começamos a quebrar coquinhos com pedra e enfrentar desafios com criatividade.

Educação? Outro dia visitei uma escola municipal onde se vê cuidados e carinho por toda parte, então lembrei da foto da primeira turma escolar de Londrina, os aluninhos na maioria descalços. Quanta evolução dos pés no chão aos satélites no céu!

Na Idade Média, enlouquecia-se de dor de dente. No Museu de Artes e Ofícios, em BH, há dois caixotes que dentistas como Tiradentes levavam pelas estradas: num caixote iam as ferramentas, e o outro se transformava em cadeira onde a pessoa era amarrada para o dente ser arrancado sem anestesia. Mas, nos meus dez anos, já a broca do dentista era movida a pedal, o cérebro trepidava mas já não era preciso arrancar dente doloso.


No Egito Antigo, os escravos trabalhavam contentes na construção das pirâmides, por crer que seriam como rampas de lançamento do faraó para a eternidade, e eles então iriam junto. Já hoje há quem acredite que o planeta é plano mas, ao menos, ninguém é obrigado a construir pirâmides.

 

Troquei a volumosa carteira de couro por outra fininha, pois com os cartões parei de usar cheques. Antigamente os bancos pagavam juros sobre os depósitos, mas a ditadura os liberou disso, e, na democracia, continuaram sem pagar, no sistema bancário mais agiota do mundo - até agora, quando o sucesso dos bancos digitais está obrigando os bancões a pagar juros para quem lhes entrega o dinheiro que emprestam a juros.


E a evolução política? A polarização, por exemplo, parece prenunciar guerra civil mas é apenas a inflamação que precede a cura. Pode ser o começo de um bipartidarismo! Claro que desde 2008 o Partido da Mulher Brasileira parece prenunciar um bipartidarismo de gênero, mas falo de bipartidarismo entre conservadores e progressistas, saindo do nosso imprestável pluripartidarismo.




Quanto ao aquecimento global já não sou otimista, mas também creio que não será demais esperar bom senso quando a água bater na bunda.

E, se não há transformação sem mudanças, melhor olhar com bons olhos tudo que muda, não? Nunca se viu tantas mudanças em tão pouco tempo e, até por isso, creio que tudo vai melhorar. Complicar até parece sina, mas melhorar é destino.

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