Abramos mão de nos achar os únicos no planeta a ter mãos, pois também são seres manusiais os gorilas, chimpanzés, outros primatas e até coalas, ursos pandas e gambás. Mas só nós desenvolvemos tanto as mãos, com isso evoluindo tanto o cérebro e vice-versa, chegando a criar desde inteligência artificial até bombas capazes de destruir a vida no planeta.

Mas fora essa contra-mão destrutiva da evolução, quanto devemos às mãos! O polegar oposto aos outros quatro dedos nos permitiu pegar os frutos e sementes e ovos e tudo mais que comemos antes da invenção das armas para a caça, fossem simples pedras, e os utensílios para agricultura, fossem simples paus para cavoucar o chão.

Também com as mãos pudemos catar brasas de algum incêndio causado por raio, para inventar o fogo permanente, a fogueira, de onde surgiria a cozinha e a culinária, além de depois a fundição gerando ferramentas e armas.

É com as mãos que comemos, nos lavamos, comemos, acariciamos, lutamos, e é com mão na mão que começam os namoros para os casamentos, de modo que nascemos das mãos antes até do útero.

Nonno José selava acordos sem precisar de papel ou cartório, só com olho no olho e aperto na mão. E o jeito que nonna Paulina achou de ouvir novela de rádio sem se sentir perdendo tempo, foi usar as mãos tricotando...

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Em nossas ruas têm mão, contramão, mão única e também, como nós, mão dupla. A todo momento usamos as mãos e, trabalhando, delas vivemos, além de muitas vezes recorrermos às mãos na linguagem. Quando queremos desistir de algo, abrimos mão. Tanto o teimoso como o avarento dizem que “não abrem mão”... E quando algo está assegurado ou pronto para entrega, dizemos que “tá na mão”.

Há uma mão-cheia de expressões com mãos na Língua: mão na massa, dar uma mão, de mão lavada, de mãos vazias, deixar de mão, primeira mão, segunda mão, fora de mão, lançar mão, lavar as mãos como Pilatos... E estar de mãos amarradas ou sair na mão, molhar a mão, ficar na mão, passar a mão, por a mão no fogo, pedir a mão, ser mão de vaca ou mão aberta, ou ainda ser mão leve, manter mão de ferro, ter as mãos limpas, e aguentar a mão se não quiser ficar nas mãos de Deus...


Mas deixemos de mão a Língua, vamos para o cinema: quantos filmes policiais não seriam feitos se as mãos não tivessem impressões digitais?! São oito bilhões de humanos no planeta, com portanto oitenta bilhões de dedos, todos com suas exclusivas impressões digitais a atestar que cada ser é único!

Até cada dedo tem suas exclusivas funções já definidas por seus nomes. O Indicador é tanto cutucador e enrolador quanto acusador. O Pai-de-todos fica no meio da turma liderando para desde esmurrar até tocar piano. O Anelar serve não só para anéis como também para ajudar a mão a pegar, apertar e prender. O Polegar faz com o Indicador a pinça indispensável para lidar com sementes, catar miudezas, lidar com cordas e tecer e tudo mais. E o Mindinho é o único capaz de se enfiar no nariz, completando a mão como um time de dedos, capaz do ato ancestral da preensão, segurar e pegar opondo-se aos outros mas com eles em cooperação, assim tornando a mão símbolo dinâmico da democracia. Que, quando está em crise profunda, dizemos que estamos nas mãos de Deus.

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