O Brasil não é grande só de terra, é grande de festas também.

Fomos a um arraiá, festa junina de paróquia e, que surpresa e até espanto, demos com um evento cheio que só vendo, onde conviviam o folclore e a tecnologia, com fileira de caixas automáticos e também caixas ambulantes, moças e rapazes com alto cartaz afixado nas costas – CAIXA – e maquininha na mão; você paga ali com cartão e vai pegar nas barracas seja o que for, pastel, churrasquinho, canjica, paçoca, cuscuz, milho, coisas do Sul/Sudeste, terra do caipira raiz do sertanejo.

Então dá a pensar que o sertanejo gaúcho tem outras festas, outras roupas folclóricas, música e danças próprias, e o Brasil tem ainda o sertanejo do Brasil/Central, como o sertanejo do Nordeste também com seus modos de ser e seu rico folclore.

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Com som ambiente as pessoas falariam mais alto, mas no arraiá só botaram som no ar para cantoria de violeiros num palco e depois para quadrilha. Tio Goo diz que essa comédia dançante, a quadrilha, nasceu na França como dança de salão dos nobres, e no Brasilzão tem suas versões e modos nas várias regiões, virando espetáculo de grande riqueza cultural no Nordeste. É uma riqueza brasileira com bigodinho de carvão e pintas nas bochechas.

E é bonito e faz bem ver uma festa tão comunitária quanto funcional, tão respeitosa quanto alegre. Vêm lembranças das quermesses juninas de rapazola, com leilão de prendas e correio-elegante, coisas que parece acabaram mas surgiram os caipiras cowboys e as fotos por celular, a festa se multiplicando na net. As quermesses mesmo rarearam mas surgiram os arraiás, onde agora se vê não só figurinos arremedados de caipira mas também caipiras finamente elegantes. Assim o arraiá é vitrine de evolução e a paróquia vai ganhar um dinheirão, comento com amigo paroquiano e ele revela que o arraiá nem renderá tanto, as despesas são muitas mesmo com tantos voluntários, o grande ganho mesmo é o próprio arraiá:

- É um mutirão que junta de crianças a idosos na prática e no sentimento de comunidade.

Então pode-se olhar o arraiá como um patrimônio vivo, como é o folclore que se recicla e se potencializa: no mesmo dia 12 de julho havia vários outros arraiás pela cidade.

O Brasil pode estar gastando mais do que ganha, seja o povo ou o governo, e tem muita gente crente em apostar em jogos, a nação anda precisando de uns chacoalhões e uma boa reforma geral, mas uma coisa não se pode negar: é um país grande já pelas tantas festas nacionais e regionais, desde a singela lavagem da Igreja do Bonfim até os apoteóticos desfiles carnavalescos.

Num tempo de tanta automação, é bom passar por algum arraiá, onde se possa sentar em paz, comer comidinha gostosa vendo mais gente a nada fazer além de se divertir e se alegrar no Brasilzão.

No estacionamento, agradecemos a prontidão e a gentileza do atendente, e aproveitamos para agradecer ter nascido não só num país grande como o Brasil mas também no grande país Brasilzão.

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