AGRONEGÓCIO RESPONSÁVEL -

O Brasil na produção global de alimentos



Documento da FAO aponta que a agricultura mundial terá de ampliar em 80% a produção de alimentos até 2050 para atender as necessidades de uma população projetada para 9,7 bilhões de pessoas. A FAO prevê, também, que o Brasil deverá responder por metade desse montante.

Roberto Rodrigues, coordenador de agronegócio da Fundação Getúlio Vargas e ex-Ministro da Agricultura do Brasil, diz que o país pode tornar este desafio em uma oportunidade, porque tem produtores dinâmicos e empreendedores, clima relativamente favorável, abundância em terras aptas e subutilizadas - sobretudo pastagens degradadas sob as quais podem ser aplicadas tecnologias, evitando desmatamentos.



Uma prova do dinamismo da agricultura brasileira está nos bons resultados do agronegócio em 2020, quando sinaliza ultrapassar os U$$ 100 bilhões em exportações, montante cinco vezes maior do que o registrado no início deste século (ano 2000). Somente nos cinco primeiros meses deste ano, as exportações do agro brasileiro somaram U$$ 42 bilhões, recorde histórico para o período, apesar das dificuldades impostas pela pandemia do novo coronavírus, restringindo a movimentação de cargas e pessoas.

Os principais produtos exportados - em valor monetário - foram a soja, as carnes e a celulose, totalizando 63,4% do total. O Brasil exporta para mais de 150 países, mas a China sozinha respondeu por 39,3% do total exportado nos cinco primeiros meses de 2020. Segundo Roberto Rodrigues, o Brasil é o país com o maior potencial para crescer na produção agrícola e informa que dados oficiais indicam um crescimento de 2,5% para o PIB do agronegócio em 2020, ante uma previsão de queda do PIB nacional entre 6 a 8 %.

E afirmou, ainda, que o Brasil foi o único país a aumentar as exportações neste período de pandemia, indicando nosso potencial de avançar nos mercados internacionais. Parece não haver tempo ruim para o agro brasileiro; oferece não apenas segurança alimentar para o mundo, mas também segurança econômica para o Brasil, por ser o único setor que cresce na crise, com dividendos financeiros e empregos.

O alimento é o produto mais necessário para a sobrevivência de um cidadão e a busca pela autossuficiência alimentar é prioridade de qualquer governo. O Brasil está bem posicionado neste cenário, pois produz seis vezes mais do que o necessário para o atendimento das suas necessidades. Para exportar esse enorme excedente e otimizar ganhos econômicos, o Brasil precisa estabelecer comércio com países isentos de restrições alfandegárias e não alfandegárias às importações. No entanto, a importância que a produção de alimentos vem adquirindo pelo mundo está estimulando outros países a produzir mais e limitar o mercado do Brasil, segundo  Rodrigues.

A dinâmica e a eficiência da agricultura brasileira estão preocupando agricultores de outros países, pela ameaça de inviabiliza-los por falta de competitividade. Diante deste cenário, os governos desses países poderão proteger os produtores locais, tachando os produtos importados do Brasil, afirmando que o país produz muito porque desmata demais, mesmo cientes de que 66% do território brasileiro está coberto com vegetação nativa, segundo estudos da Embrapa Territorial.

O tratamento da mídia nacional e internacional sobre os desmatamentos e as queimadas na Amazônia brasileira tem sido desprovido de análises realmente técnicas e imparciais. Trata casos pontuais como se fossem feitos pela maioria dos produtores, o que criou uma imagem negativa do Brasil no exterior e que já está prejudicando as exportações do País. Outro entrave do agronegócio brasileiro, segundo Hansen, Presidente da empresa Yara de fertilizantes, está nas dificuldades administrativas para impulsionar a produção local de fertilizantes, cuja dependência brasileira é de 75% e o consumo local cresce 3 vezes mais do que no resto do mundo.

O que se depreende do cenário descrito é que o agronegócio brasileiro está bem posicionado dentro da porteira, com aportes de tecnologia e conectividade. Por outro lado, fora da porteira existem diversos obstáculos, cujo tratamento depende da integração de todos os setores relacionados ao agronegócio, inclusive aqueles de origem política




Amélio Dall’Agnol, pesquisador da Embrapa Soja

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