Soluções que só funcionam no reino dos ovos e das galinhas
Numa empresa, governança sem gestão é esperança vestida de paletó e gravata
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segunda-feira, 09 de junho de 2025
Numa empresa, governança sem gestão é esperança vestida de paletó e gravata
Abraham Shapiro 
Tem família que acredita piamente que criar um Conselho de Administração resolve negócio desandado. É como instalar alarme numa casa sem portas, nem janelas: bonito na intenção, inútil na hora errada.
Visualize o seguinte cenário: quatro irmãos, donos de uma empresa tipo “galinha dos ovos de ouro” que sustentou todos com tanto dinheiro que o conforto chegou antes da responsabilidade. Enquanto o fundador suava para pagar fornecedores, os herdeiros a assumiram em tempos favoráveis, o que lhes deu carrões, jatinho e clínica estética para os pets. Tudo no mesmo CNPJ.
Chegou o dia em que cada um decidiu investir em algum negócio de sua paixão pessoal. Acreditavam que dinheiro compra competência e que empresa anda sozinha, tipo bicicleta elétrica. Mas não.
Esses negócios começaram a “feder”.
Chamaram então um consultor sobrevivente de uma falência empresarial familiar. Com pose de oráculo, ele soltou a solução messiânica: “Criemos um Conselho de Administração!”
Sim, criaram. Buffet luxuoso com café, sucos, sanduíches e, como era previsível, muita confusão. Pautas nada resolviam. Ninguém cumpria o combinado. Relatórios? Para quê? Cada reunião era um autêntico UFC de vaidades e opiniões.
Ninguém atinou que o mal estava no fato da governança ter chegado antes da gestão e, por isso, acabou devorada pelo caos, pela prepotência e dados importantes que todos ignoravam.
Moral da história: se na Criação do Mundo tanto faz se o ovo ou a galinha veio primeiro, no universo empresarial não é assim. A gestão — planejada, com processos, métricas e controle – antecede qualquer Conselho Diretivo.
Governança sem gestão é esperança vestida de paletó e gravata. Ou melhor: é estupidez como recheio do croissant.


