Uma das mais louváveis atitudes humanas é assumir a responsabilidade pelos próprios atos e problemas. Isto é difícil, tanto que uma parcela imensa da população prefere ignorá-la a ponto de acreditar na conquista da felicidade como poção mágica.

É por esta via que o mercado das palestras de motivação e do coaching cresce vertiginosamente, inscrevendo um sem-número de charlatães e trapaceiros no rol da fama. O que eles fazem resume-se a transformar em oportunidade de negócio a sede destas pessoas iludidas, levando-as à euforia em lugar do resultado que almejam.

Pense, por exemplo, numa pessoa infeliz porque não consegue progresso em sua carreira profissional. Os tais gurus dirão que ela resolve seu problema com coragem, alegria e entusiasmo em lugar de conduzi-la a descobrir a raiz de sua dificuldade. A prova disso são os conselhos que superabundam as palestras, os coachings e as mídias sociais. Em sua maioria astronômica, são do tipo que atuam só na superfície para que as pessoas se sintam bem no curto prazo.

Assim, aquela pessoa se sentirá impelida a lutar contra a realidade existente, adoçando-a com pensamentos positivos, entusiasmo, boa alimentação, exercícios físicos e gritos de “yesssss” e “ahaa, uhuu” em obediência às instruções que recebeu de seus pseudo-mestres. Em breve ela verá que isto não muda nada e jamais mudaria. No entanto, ela não lê, não estuda, não se capacita, não se atualiza e, por isso, não se desenvolve o suficiente para que tenha o mérito de uma promoção. Deste modo, ela se encontra numa realidade ótima para produzir o estado em que se encontra agora. Esperar resultado diferente seria o mesmo que desejar colher maçãs de uma goiabeira.

O único processo que pode mudar definitivamente esta realidade seria a adoção de um novo modelo que torne o atual obsoleto. Enquanto isto não ocorrer, não há fé, guru ou encantamento que a faça chegar ao patamar que anseia. Talvez um milagre. Mas isto, com toda certeza, coaches e palestrantes jamais farão... posso garantir!

mockup