Para que o cliente volte
PUBLICAÇÃO
domingo, 04 de março de 2018
Abraham Shapiro 
Não existe outra saída. As empresas precisam tratar as pessoas de modo mais personalizado e, se possível, individual. As "de dentro" e "as de fora" também.
Quero falar um pouco mais sobre clientes. Com a sua permissão.
É melhor conhecer bem poucos clientes do que conhecer muitos superficialmente.
É melhor ter alguns insights profundos do que planilhas e mais planilhas de médias numéricas.
É melhor satisfazer desejos reais do que muitas necessidades imaginárias.
A menos que você seja uma empresa com um cliente só, você terá de administrar um dilema. Que dilema? Ter porte e ganhar escala para ter lucros sem perder a intimidade com as pessoas.
Isto exige que se encontre o ponto de equilíbrio entre customização e padronização, buscando novos clientes e atendendo melhor aos já existentes. Não é fácil e nem simples. Exige olhos de águia para não deixar passar nenhum detalhe.
Assim, o nosso grande desafio é redefinir a proposta, o objetivo, os processos que desempenhamos e o impacto do negócio desde a ótica do cliente. Sim, porque o ponto de vista do cliente é mais amplo e rico do que 99% das empresas consegue saber. E, para piorar, ele exige um mix de produtos e serviços maior à medida que o tempo passa.
Não perca de vista todas as oportunidades de venda. Porém, busque a construção de relacionamentos sadios e vantajosos, ainda que isto requeira de você e do seu pessoal mais atenção, mais cuidado e mais suporte. Você vai precisar de recursos para investir em capacitação para que todos correspondam a este propósito.
Conheço uma empresa que está morrendo. Seu diretor comercial e o gerente de vendas pressionam sua equipe para trazer números apenas. Estipulam metas a partir de sonhos impossíveis com que desejam fazer bonito aos olhos do patrão para não perderem o emprego. Não estão nem aí com os relacionamentos que dão sustentabilidade, com a satisfação dos clientes, com as sugestões que clientes antigos oferecem para melhoria etc. Esta combinação de atitudes destrutivas só tem acelerado a desgraça iminente. E o fim chega todos os dias, pois, mais e mais clientes se desligam da empresa conscientemente e não voltam para comprar. E aqueles "ogros dos negócios" culpam a modernidade, a tecnologia, o mercado, só não a si mesmos. É claro. Seus salários estão garantidos, por enquanto. "Danem-se os clientes!", eles dizem de si para si mesmos!
Não mude as regras. Pense no cliente e coloque-o em seu devido lugar! Tente ver o que você faz desde o modo como ele vê. De nada adianta ter um negócio que pareça bom, se o cliente não sentir-se atraído a ponto de voltar para comprar mais. Esta é a lei da sustentabilidade de qualquer negócio debaixo do Sol.
Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes em Londrina


