Hipocrisia é fingimento ou dissimulação, você sabe.

Pessoas podem ser hipócritas. E muitas são. Mas curioso é ver quantas empresas também são.

A primeira grande hipocrisia corporativa, recorrente nas duas últimas década, é o tal ‘foco no cliente’.

Fala-se apaixonadamente em atendimento, satisfação, pós-venda, mas quando o pobre do cliente abre as percepções para narrar o que espera dos produtos ou serviços, poucos estão dispostos a ouvi-lo. E se vier uma reclamação, o valor que se dá é ínfimo.

Há empresas que implantam sistemas de pesquisa de satisfação, registram informações obtidas da boca do cliente, mas tudo continua como pensam ou imaginam seus gestores. Os dados não produzem mudança nenhuma.

O que elas querem, mesmo, é vender. E só. O cliente que ‘se exploda’ com seus caprichos descabidos! No entanto, o ‘foco no cliente’ está lá escrito com letras garrafais na parede, nos discursos, nas missões, nos argumentos gerenciais etc.

Outra grande hipocrisia é o ‘valor das pessoas’. Isto não é só hipócrita. É irônico. Coincidência ou não, grande parte das empresas honradas com o título de “Good Place to Work” – tradução: “Bom Lugar para Trabalhar” – são aquelas cujos funcionários têm altíssimo volume de queixas de exploração e tratamento desumano. Muitos deles passam parte de seu tempo prospectando vagas de trabalho em outras empresas e os demitidos frequentemente ampliam os índices de reclamações trabalhistas. É surpreendente.

A causa? Penso ser o fato de a sociedade satisfazer-se com a substituição do ‘ser’ pelo ‘parecer’. Não importa o que é. Vale o que parece! Ter a loja bonita basta. Falar que o cliente é importante está ótimo. Fazer pesquisa de satisfação é tudo. Afirmar que 'nós nos preocupamos com as pessoas que trabalham conosco' é suficiente. Mas, será?

Quando Albert Einstein foi surpreendido por um fotógrafo que solicitou dele uma pose, o cientista pôs a língua para fora. Todos conhecem a foto. Desde então aquela imagem se tornou o estereótipo do gênio. Mas gênios têm de ter cabelos esvoaçados? Se Leonardo da Vinci nunca mostrou sua língua, ele deixa de ser gênio? O que verdadeiramente importa? Ser ou parecer?

O próprio Einstein declarou: “Não sei por que todos me adoram, se ninguém entende as minhas ideias”.

A resposta está no livro ‘O Pequeno Príncipe’, de Saint-Exupèry: "O essencial é invisível aos olhos". Essencial é o conteúdo. Tudo o mais é carcaça.

Chega de enganação e propaganda ilusória. Nada vale quando o fato, de fato, é ser.

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