Dois amigos de infância se separaram quando adolescentes e combinaram de se encontrar dali quinze anos em determinado lugar e hora.

O tempo passou e chegou o dia combinado.

Montado numa bicicleta velha e modestamente vestido, um deles chega ao local, à hora exata, ansioso por ver seu companheiro.

O outro se atrasa, mas após meia hora chega numa Mercedes último modelo, perfumado e vestindo roupas de grife. Desce do carro, eles se abraçam e, diante do berrante contraste social, o primeiro não se nega a perguntar:

- O que é isso, companheiro? Como subiu tanto na vida? Não fez nada de errado, não é?

Nada disso, diz o rico. Foi a minha criatividade. Inventei um spray que, aplicado na boca, produz no beijo um delicioso sabor de laranja. Todo mundo gostou e eu vendi bastante.

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. | Foto: iStock

O amigo pobre, admirado com tanta inteligência, sentiu-se envergonhado por nada ter mudado em sua vida até então. Puseram-se a recordar os velhos tempos juntos e, mantendo o combinado, marcaram um reencontro dali quinze anos, no mesmo lugar.

A nova data chegou. Desta vez, o rico cuidou para se adiantar a fim de não parecer desfeita ao outro. Mas, para seu espanto, ocorreu o contrário da primeira vez. Meia hora já se passara e o amigo não havia chegado ainda. Bateu-lhe um peso na consciência, pois talvez o amigo pobre já tivesse até morrido sem quaisquer recursos.

De repente, uma caminhonete chega ao local. Homens de óculos escuros, trajando ternos negros e munidos de rádios comunicadores averiguam os riscos do local. De repente, um helicóptero aterrissa na praça ao lado e de dentro sai o amigo pobre. Ele remoçou. Fala bem, veste-se como um magnata e sua postura não nega o fabuloso sucesso que conquistou.

Os dois se encontram, e o que chegou primeiro pergunta:

- Conte-me tudo. O que você fez para enriquecer tanto?

O milionário não se acanha e responde com calma:

- Vou contar. Lembra-se do nosso último encontro? Quando nos separamos, eu fui para casa e fiquei pensando na sua invenção. Depois, eu usei a minha criatividade e também inventei um produto. Trata-se de um líquido em spray que funciona da seguinte forma: as pessoas o aplicam sobre a laranja e, quando chupam a fruta, provam uma fantástica sensação de um beijo na boca.

Moral da história: Inventar é essencial. Mas inovar é fantástico!